Como é que menos de um por cento da população portuguesa controla a economia e a política de Portugal? Esta é uma das questões levantadas no livro «Os Burgueses» da autoria de João Teixeira Lopes, Jorge Costa e Francisco Louçã que apresentou a obra, esta quarta-feira à noite, na TVI24.

«Portugal é o país mais desigual da Europa: não há nenhum que se compare com Portugal. Ou seja, não há nenhum país em que haja uma parte tão importante da população tão empobrecida e uma parte tão pequena da população tão enriquecida. Isto tem que ter uma resposta: porque é que tão poucos podem dirigir o país?», afirmou Francisco Louçã.

Em entrevista no programa «Política Mesmo», o ex-coordenador do Bloco de Esquerda referiu que «Os Burgueses» oferece uma caracterização de alguns dos elementos mais marcantes para a hereditariedade da vida da burguesia portuguesa no séc. XX e nos nossos dias. A obra toca em pontos como o consumo, a educação ou as escolas e explora a mecânica da pertença e da transmissão da condição de burguês.

«Fizemos um levantamento de todos os governantes portugueses dos Governos Constitucionais: 19 Governos Constitucionais são 776 pessoas e fomos ver as suas carreiras profissionais e verificámos que, (...) ao saírem do Governo, grande parte destes ex-governantes se foram colocar nas administrações de empresas e, portanto, passaram a fazer parte (...) das empresas do PSI20, dos grandes grupos económicos, que têm uma presença, por exemplo, muito importante nos negócios das parcerias público-privadas, o que pode permitir compreender porque é que é tão difícil em Portugal algum Governo tocar nas rendas das parcerias», explicou Francisco Louçã.