O deputado socialista Pedro Marques destacou que o relatório da troika sobre as 8ª e 9ª avaliações ao programa de assistência a Portugal considera os sucessivos cortes efetuados na despesa como permanentes.

«A ministra das Finanças anda aqui a tentar escapulir-se desta questão, mas o FMI vem dizer-nos que são cortes permanentes na despesa de que estamos a falar. Portanto, era bom que o Governo parasse também com este tipo de ideia, mas percebemos que anda a tentar fugir das decisões do Tribunal Constitucional. No fundo, aqui está muito claro aquilo que o FMI pensa sobre essa matéria», afirmou.

O parlamentar do PS notou ainda que o FMI deixa no documento «um sério aviso ao Governo» da maioria PSD/CDS-PP, relativamente à reforma do IRC entretanto apresentada.

«O FMI vê com alguma preocupação o avanço da proposta naqueles moldes. Confirma algo que não apenas o PS, mas os parceiros sociais têm estado a dizer: que esta proposta tem custos orçamentais, mas beneficia, desde logo e sobretudo, as grandes empresas dos setores não transacionáveis», disse.

Já o PCP assinalou a convergência de posições entre o Governo e o FMI, considerando que ambos defendem a continuação da austeridade.

«Aquilo que para o PCP é o mais relevante deste relatório do FMI é a convergência das posições do FMI com aquilo que o Governo tem assumido e com aquilo que o Governo não tendo assumido, tem sido obrigado a assumir», afirmou o deputado comunista João Oliveira.

Pois, continuou João Oliveira, o que o FMI diz é que, tal como o Governo, entende que é preciso continuar a política de austeridade independentemente dos objetivos e resultados esperados não terem sido alcançados.

Além disso, algumas das medidas que o Governo identifica como decisivas para o próximo ano, o FMI reconhece que «levantam muitas dúvidas em relação aos resultados que por elas podem ser alcançados», como é o caso da reforma IRC, adiantou ainda.

«É de destacar também que aquilo que o FMI assume agora, depois de há uns meses ter aprovado um relatório em que reconhecia o falhanço das políticas de austeridade, é que afinal essas políticas de austeridade têm de continuar seja porque período for e seja com quem for, seja com que desculpa o Governo as pretenda executar», frisou.

Já o líder parlamentar do Bloco de Esquerda acusou o Governo de «mentir descaradamente ao país» e de as suas políticas espelharem «fanatismo» pela austeridade.

«O Governo anda a mentir descaradamente ao país. Diz que os cortes são temporários e o relatório diz que são permanentes. Diz que os sacrifícios poderão estar a chegar ao fim e o FMI diz-nos que são para continuar em 2015 e em 2016. Diz-nos que a austeridade tem fim e o relatório diz-nos exatamente o contrário», afirmou Pedro Filipe Soares.

Para o parlamentar do BE, o documento torna claro que «o fanatismo daqueles que só estão bem a cortar salários, a cortar na vida das pessoas» e que «não há saída neste caminho senão continuar a cortar na vida e nos salários».