O presidente do PSD e primeiro-ministro defendeu, esta quarta-feira, que o Governo fez o que era preciso nos últimos três anos e não governou por imposição da troika. Pedro Passos Coelho dramatizou o risco de se voltar atrás.

«Muitos daqueles que acham que agora que o Programa de Assistência Económica e Financeira acabou e que, portanto, já não precisamos de cumprir o memorando de entendimento e podemos discutir tudo outra vez sem constrangimentos de qualquer espécie são os primeiros a não terem nenhuma consciência do que está em jogo», afirmou Passos Coelho, no discurso de abertura da reunião do Conselho Nacional do PSD, a que a comunicação social pôde assistir, ao contrário do que é habitual.

O chefe de Governo sublinhou que o que foi feito nos últimos nestes três anos «não foi porque a troika impôs».

«Fizemos o que era preciso fazer num país que estava à beira da insolvência. Enquanto certos políticos não perceberem isto, adiantaremos pouco para o país. Enquanto muitos responsáveis que têm na sua mão decisões importantes para o futuro do país não compreenderem isto, comprometem as aspirações legítimas de uma recuperação sustentada da economia e de uma recuperação da credibilidade que é necessária no espaço europeu», acrescentou.

Passos defende exame de consciência sobre abstenção

No mesmo discurso de abertura da reunião do Conselho Nacional do PSD, o primeiro-ministro defendeu que agentes políticos, comentadores e jornalistas devem fazer um exame de consciência sobre o que é preciso mudar para evitar o nível de abstenção registado nas eleições europeias.

Pedro Passos Coelho considerou que a responsabilidade pelo «alheamento» de dois terços dos eleitores portugueses das eleições de domingo passado «tem de ser assacada aos responsáveis políticos», mas não só.

Alegando que a coligação PSD/CDS-PP falou sobretudo de temas europeus na campanha eleitoral, Passos Coelho apontou o dedo à comunicação social: «A caricatura do debate político que chegou à casa das pessoas foi demasiado pobre. Falámos 90% da Europa e 10% do resto. Se calhar, não devíamos ter falado de mais nada, para que, pelo menos, o que falámos sobre Europa pudesse ter passado».

UE precisa de novo fôlego para enterrar ideia de euro em risco

Ainda no discurso de abertura da reunião do Conselho Nacional do PSD, o primeiro-ministro retratou a União Europeia como um bloco em perda de competitividade e que precisa de um novo fôlego para enterrar a ideia de que o euro pode estar em risco.

Pedro Passos Coelho falou do «reino do euro» como um espaço que tem de se «transformar seriamente» e dar mais «passos no sentido da integração» para «enterrar de vez a ideia de que o euro pode estar em risco, de que as crises soberanas podem voltar e de que os países não aprenderam com a crise e querem regressar às políticas que tinham antes».

Passos Coelho sustentou que, «com muito poucas exceções, em todo o lado, a Europa tem mostrado que está a perder competitividade». O primeiro-ministro afirmou que «o maior bloco comercial do mundo está a perder a prazo essa posição».

Por outro lado, declarou que a Europa «está a ficar envelhecida» e é um espaço onde há «cada vez mais dificuldade em financiar os sistemas de aposentação e de reforma, em todo o lado».

Passos Coelho concluiu que «a Europa precisa de um fôlego novo, precisa de um impulso que só pode ser dado pelos cidadãos» e lamentou que haja tantas pessoas «voltadas de costas para o espaço europeu» neste momento.

O primeiro-ministro dramatizou a importância da evolução do projeto europeu para Portugal: «Para nós é decisivo que esta Europa seja uma história bem-sucedida».