António Costa falou, esta quarta-feira, à TVI24 sobre a sua candidatura à liderança do Partido Socialista, do «culto da personalidade» do partido e da demarcação do PS com o Governo.

O candidato afirmou que o PS perdeu identidade com um secretário-geral que não soube ser alternativa, acrescentando que Manuela Ferreira Leite tem uma demarcação mais clara com o Governo do que o atual PS.

«Tem um programa semanal aqui em que entrevista a doutora Manuela Ferreira Leite. É um pouco extraordinário, acho eu, que ao fim destes três anos seja mais clara a demarcação entre a doutora Manuela Ferreira Leite e o atual Governo do que entre a direção do PS e o atual Governo», afirmou.

O candidato acusou Seguro de ter uma atitude lamentável por querer reduzir o partido ao líder e de «ao longo de três anos» o partido ter sido «esquecido».

«Aquilo que o partido sente é que ao longo de três anos o partido foi esquecido em torno do culto da personalidade. Eu costumo falar o PS, as outras pessoas falam "eu, eu, eu" e isso não é bom», afirmou.

Na reta final para os socialistas irem a votos para as federações, surgem denúncias de alegadas irregularidades em Lisboa, mas António Costa rejeita responsabilidades.

«Acha que eu sei o que é que se passa numa secção? Agora, quem é responsável pelos ficheiros, que é o caso de António Galamba e Miguel Laranjeiro, esses têm obrigação de saber. E, detetando problemas desses, têm uma outra obrigação, que é corrigir. E têm uma outra obrigação ainda, que é não ocultar, não esconder, quem são os responsáveis por essas ações», afirmou, garantindo que o seu nome «foi, absolutamente, a despropósito envolvido».

Já sobre a sua candidatura à liderança do partido, Costa afirmou que tem experiência em «unir pontas desavindas» e que não tem «dúvidas» que passando estas eleições do dia 28 saberá «unir o PS e que o PS se mostrará forte e capaz de cumprir aquilo que deve ser a sua função, que é construir uma alternativa a este Governo».

Questionado sobre o que o levou a concorrer às primárias do Partido Socialista, António Costa não foi parco em palavras.

«A verdade é que na noite das eleições europeias e nos dias seguintes, toda a gente foi muito clara a perceber o que é que se estava a passar. E o que se estava a passar era um resultado triplamente negativo. Em primeiro lugar, muito negativo, porque à derrota histórica da direita, não correspondia, evidentemente, a vitória histórica do PS. Em segundo lugar, um resultado para o PS que ficava muito aquém de uma maioria absoluta. Mas mais, um resultado que não lhe permitiria sequer ter uma posição forte em qualquer coligação. E se isto era mau para o PS era péssimo para o país, porque Portugal na situação em que se encontra, não pode ficar numa situação de ingovernabilidade. E por isso havia, na sociedade portuguesa, uma ansiedade relativamente ao futuro», afirmou o socialista.

No entanto, apesar do resultado negativo, António Costa diz «que a fratura [dentro do partido] é menos visível do que as pessoas tendem a achar», mas que «depois, há de facto ali um pequeno núcleo que tem vivido mal este processo democrático na vida do partido».



Questionado sobre quem falava, Costa afirmou que «não preciso de o identificar. Não tem dúvidas de quem eu estou a falar». «Eu falo sobre mim e deixo os outros em paz», acrescentou.

Sobre a sua possível vitória nas primárias, António Costa mostrou-se confiante «porque desde o princípio» sente que a candidatura «correspondeu a um sentimento muito profundo» que encontrou na sociedade portuguesa e também no Partido Socialista.

«Não é por acaso que hoje tenho a maioria do PS que vê com uma enorme satisfação eu ter-me disponibilizado para procurar responder a um problema», garante.