A cabeça de lista do BE às europeias, Marisa Matias, considerou esta quarta-feira que «truncada» tem sido a atuação do Presidente da República por não ser "nada neutro", afirmando que só na China é que podem acreditar que «Portugal vai melhorar».

Marisa Matias falava aos jornalistas à margem da primeira ação de campanha desta quarta-feira, em Almada, onde foi questionada sobre as declarações do Presidente da República, Cavaco Silva, que disse em Xangai ter sido feita uma leitura «truncada» do que escreveu no Facebook a propósito da «saída limpa» de Portugal do programa de ajustamento.

«Truncada tem sido a atividade do Presidente da República nos últimos tempos porque confundiu aquilo que é o seu dever enquanto Presidente da República e tem sido um agente muito mais de apoio deste Governo em funções do que propriamente daquele que é o interesse de Portugal», considerou a eurodeputada bloquista, que acusou o chefe de Estado de não estar a ser «nada neutro».

Na opinião de Marisa Matias, «o Presidente da República tem-se esforçado bastante por mostrar de que lado é que está», recordando que longe «vão os tempos em que falava da espiral recessiva da austeridade» mas que o partido «tem memória».

«Só isso é que faz com o Presidente da República diga que Portugal vai melhorar na China porque só aí é que provavelmente poderão acreditar. Se dissesse aos portugueses, estou certa que ninguém que aqui vive poderia concordar com o que o Presidente da República disse», declarou.

Na visita oficial à China, Cavaco Silva disse ainda ter «ambições positivas» sobre a campanha eleitoral em curso para as europeias, analisando a eurodeputada recandidata que essas passam por «esperar que nada mude, que tudo fique na mesma».

«Nós temos uma leitura muito contrária dessas ambições positivas e esperamos que esta campanha e que estas eleições sirvam para por fora esta austeridade e esta política de austeridade. A direita tem que ser obviamente julgada por aquilo que fez ao país nós últimos três anos», pediu.