Os promotores do Manifesto 3D reconheceram que «não foi possível encontrar uma solução inclusiva» entre partidos e movimentos à esquerda para uma «plataforma eleitoral comum» para as eleições europeias de maio.

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«Apesar da concordância de princípio com a necessidade da convergência nesta área política e com as questões programáticas essenciais constantes no Manifesto 3D, expressa por todos os interlocutores, não foi possível encontrar uma solução inclusiva que se traduzisse numa plataforma eleitoral comum a concretizar já nas próximas eleições europeias e que correspondesse aos objetivos do Manifesto 3D», escreve Daniel Oliveira, um dos promotores do manifesto, em missiva endereçada às redações que a Lusa cita.

A comissão coordenadora do 3D realizou nas últimas semanas uma ronda de reuniões, a seu pedido, com o Bloco de Esquerda (BE), a comissão instaladora do partido Livre e a direção da Associação Renovação Comunista, com o intuito de constituir uma «lista comum de convergência a apresentar às próximas eleições para o Parlamento Europeu», a decorrer a 25 de maio.

O Manifesto 3D pretendia que a candidatura comum «transcendesse» os partidos que a integrassem, «incorporando outras organizações e cidadãos», sendo que esta candidatura «deveria constituir uma primeira etapa de uma ação conjunta para a construção de uma convergência política que se projetasse também nas eleições legislativas e que promovesse uma alternativa de governação».

Mesmo gorada a tentativa de uma plataforma comum à esquerda, os promotores do Manifesto 3D reafirmam na missiva hoje enviada «o seu empenhamento na construção de uma alternativa governativa assente na dignidade, na democracia e no desenvolvimento de Portugal, estando prontos para prosseguir este combate com todas as forças políticas que o queiram assumir».

Nos próximos meses, revela ainda o 3D, serão promovidos encontros em vários pontos do país com os subscritores do manifesto, «abertos a todos os cidadãos e cidadãs que se revejam nos seus propósitos, tendo em vista dar conta do processo iniciado pelo lançamento do Manifesto 3D e debater os desenvolvimentos futuros desta iniciativa, a culminar numa assembleia de subscritores».

O BE esclareceu no fim de semana que rejeitou uma candidatura conjunta às europeias com o Manifesto 3D porque esta implicava abdicar de uma candidatura própria, propondo em alternativa um acordo político com o movimento.

A coordenadora do partido Catarina Martins informou que o BE fez esta a proposta ao Manifesto 3D há alguns dias e que aguardava uma resposta.

«O Bloco de Esquerda julga que é importante manter o diálogo e nesse sentido lançou ao movimento 3D a proposta de se constituir uma plataforma política comum que nos permitisse uma convergência já nas próximas eleições europeias. Temos toda a disponibilidade para esse processo», detalhou, adiantando, no entanto, que o BE está a preparar a sua própria candidatura às europeias.

«O Bloco de Esquerda está interessado em todas as convergências que rejeitem a política de austeridade e o tratado orçamental e está interessado em juntar todas as forças nas eleições europeias e nas legislativas que aí vêm. A esquerda tem de se reforçar para ter capacidade para responder à grande ofensiva da direita de destruição do nosso país», acrescentou, garantindo que «a abertura do BE existe».