O cabeça de lista do PS às eleições europeias, Francisco Assis, criticou a tentativa de «instrumentalização» da «instituição Governo» pelo PSD e CDS-PP, referindo-se ao conselho de ministros extraordinário agendado para sábado.

«Esta reunião extraordinária do conselho de ministros parece-me ser uma tentativa despudorada de instrumentalização da instituição Governo. A instituição Governo está muito para além dos partidos que conjunturalmente exercem funções executivas em Portugal», disse Francisco Assis em Lamego.

Falando aos jornalistas à margem de uma visita às Caves da Raposeira, esta segunda-feira, o candidato a eurodeputado declarou que o PS não vai apresentar uma queixa formal à CNE porque o partido não vai participar nesta discussão «dessa forma», mas acusou PSD e CDS-PP de «pura propaganda eleitoral».

«Só uma maioria em estado de desespero político e eleitoral é que recorre a este tipo de iniciativas tão despudoradas elas são», reforçou o socialista, alertando que a «propaganda» da direita será uma constante na campanha eleitoral para o sufrágio de 25 de maio.

O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) admitiu hoje à agência Lusa que o anúncio da estratégia do Governo para o futuro, marcado para dia 17 em plena campanha para as Europeias, suscita dúvidas relativamente à imparcialidade durante uma campanha eleitoral.

No que refere às declarações do cabeça de lista da coligação de direita às europeias, que disse que a CNE devia ter em atenção que o PS apresenta no sábado um programa de governação, o que poderá «confundir os eleitores», Assis devolve sublinhando que os partidos «podem e devem» apresentar as suas ideias nesta fase.

«Acho lamentável que o Dr. Paulo Rangel confunda as instituições partidárias com o Governo da República Portuguesa. Os partidos podem e devem apresentar os seus projetos nesta fase eleitoral. Aliás, é para isso que existem campanhas eleitorais, para que cada partido apresente a sua visão e o seu projeto sobre a Europa e o país», advogou o socialista.

«Notamos a forma como o Governo e os partidos que o apoiam estão a olhar para esta campanha eleitoral e o desrespeito profundo que isto significa pelas instituições democráticas», acrescentou ainda Francisco Assis.

Na visita às caves de vinho espumante, o cabeça de lista reconheceu que espera «poder brindar» no dia do sufrágio para o Parlamento Europeu a «uma nova época na União Europeia».

«O que está em causa é a possibilidade de darmos um contributo importante para a superação da crise que atualmente afeta o projeto europeu. Estou convencido que para isso é muito importante que haja uma vitória dos socialistas e dos democratas nas eleições de 25 de maio», realçou, no primeiro dia oficial de campanha.

Francisco Assis esteve acompanhado em Lamego por José Junqueiro, número 13 na lista do PS ao Parlamento Europeu, e por alguns deputados socialistas à Assembleia da República eleitos pelo distrito de Viseu.

O «número um» socialista às europeias acusou, ainda, o Governo de estar com «medo do povo» e de recorrer à «obscenidade», ao convocar um Conselho de Ministros em período de campanha, ultrapassando os limites da decência.

Assis declarou: «O desespero conduz à perda da vergonha, ao despudor mais absoluto - e temos visto uma campanha de promessas, própria de um Governo que não tem limites no esforço propagandístico, porque tem medo do povo», sustentou o candidato após um almoço em Lamego.

«PSD e CDS têm legitimidade para governar, mas não são donos das instituições democráticas que conjunturalmente ocupam em função do voto. Este ato é um desrespeito profundo pela democracia, é um ato obsceno que tem de ser profundamente criticado, porque a decência tem de prevalecer na disputa política», advertiu o cabeça de lista do PS.

Francisco Assis deixou depois um apelo à maioria PSD/CDS: «A decência é fundamental na vida política e tem de haver uma decência mínima».