O secretário-geral do PCP acusou este sábado o Governo de promover uma «farsa» em torno dos cortes na despesa pública, tentando «enganar» os portugueses para «garantir ganhos eleitorais».

Segundo Jerónimo de Sousa, o Governo está a preparar uma redução de dois mil milhões de euros na despesa pública, incluindo «cortes permanentes» nos salários, pensões e apoios sociais, o que vai levar à «promoção da precariedade».

O líder comunista comentou a polémica sobre a fonte oficial do Ministério das Finanças que veiculou a informação de que o executivo de Passos Coelho e Paulo Portas pondera criar um mecanismo permanente que substitua a Contribuição Extraordinária de Solidariedade nas pensões, entretanto contrariada pelo primeiro-ministro e outros membros do Governo.

«Meteram o secretário de Estado a lançar o barro à parede. Como não colou agora querem culpar o homem, mas a verdade é que aquilo que eles querem, e não sabendo quantificar, é avançar com as medidas contra os mesmos do costume: os trabalhadores e contra o povo», sublinhou.

Em contraponto, Jerónimo de Sousa criticou a garantia assumida por responsáveis do PSD, esta semana, no parlamento, de que «não haverá novos cortes de rendimentos de trabalhadores e reformados».

«Devia estar a pensar nos vencimentos dos novos administradores do Banco de Fomento. Um escândalo face à situação dramática em que vivem tantos portugueses. Mas pensam que enganam quem?», questionou o dirigente, durante o discurso de encerramento da IX assembleia da organização regional de Viana do Castelo do partido.

O líder comunista realçou que «ainda não foram aplicadas em toda a sua extensão as medidas previstas para o corrente ano» e o Governo «já tem em preparação, para 2015, um novo pacote» de medidas «com novos cortes, mas também com a admissão da possibilidade de novos impostos».

«Este Governo mente. Faz uma coisa e diz outra», atirou.

Para o secretário-geral do PCP, e a propósito das eleições Europeias de 25 de maio, está em curso uma campanha com «sinais positivos, da viragem da situação e da recuperação do país» que «não é mais do que a tentativa de iludir os portugueses».

«O descaramento da campanha mistificadora é tal que não só anunciam uma promissora viragem na situação do país no pós-troika, quando se sabe que preparam com essa mesma troika novas e graves medidas penalizadoras da vida do povo», disse ainda.

«Estamos no domínio da farsa. Este Governo quer voltar a enganar quem? Aqueles a quem disse que os sacrifícios eram temporários, os salários e as reformas eram sagrados. Que não iria aumentar os impostos», disse.

Assumindo que a preparação de alterações na tabela única da Administração Pública ou a «pseudo-reforma» da Segurança Social e do sistema de pensões, «não é para aumentar os rendimentos» dos trabalhadores ou dos pensionistas, Jerónimo de Sousa rematou: «Basta de mentira, basta de mistificação.»

Estaleiros: PCP quer apurar responsabilidades para fazer «justiça»

O PCP quer «apurar todas as responsabilidades» no «autêntico crime» do encerramento dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), inclusive para que se «faça justiça» com os trabalhadores e a região.

A posição foi assumida hoje pelo secretário-geral comunista, em Viana do Castelo, classificando como «corajosos combatentes e resistentes» os trabalhadores que «enquanto puderam» contestaram o fecho dos ENVC.

«Para que se lhes faça justiça, para que se faça justiça a esta região, daqui reafirmamos o nosso empenho em que se apurem todas as responsabilidades e para que venha à luz do dia todo o processo deste autêntico crime, na comissão de inquérito que, por iniciativa do nosso partido, está a funcionar na Assembleia da República», disse Jerónimo de Sousa.