O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse hoje que os portugueses têm razão para estar indignados porque «este Governo não tem cura e esta política não tem saída».

«Há descontentamento dos trabalhadores e isso vê-se hoje em várias cidades dos países onde estão a decorrer várias manifestações», afirmou aos jornalistas Jerónimo de Sousa, que participa na manifestação comemorativa do Dia do Trabalhador organizada em Lisboa pela CGTP-IN.

O secretário-geral do PCP veio à manifestação para, «em primeiro lugar», celebrar o 1.º de maio em liberdade e, em «segundo lugar», para expressar o seu descontentamento face a esta política do Governo.

Jerónimo de Sousa falou também da ameaça dos anúncios previstos no Documento de Estratégia Orçamental (DEO), apresentado na quarta-feira, considerando-o «mais uma ofensiva de aumento de impostos, corte de salários e pensões».

«O Governo tinha garantido que não havia aumento de impostos», afirmou, acusando o executivo «de continuar a mentir» aos portugueses.

Jerónimo de Sousa disse ainda que é preciso continuar a lutar contra as medidas do Governo.

O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, que também participa na manifestação da central sindical, criticou igualmente o DEO, considerando que o documento vai conduzir «a mais um aumento de impostos», além de mostrar que o Governo «atua com mentira atrás de mentira».

«Os portugueses, trabalhadores do público, privado e reformados, ficaram quarta-feira a saber que sua vida vai ficar muito pior», disse João Semedo.

Milhares de pessoas participam hoje à tarde na manifestação comemorativa do Dia do Trabalhador da CGTP, que se realiza entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa.

«A saúde é um direito, sem ela nada feito», «contra a exploração, a luta é a solução» e «está na hora do Governo ir embora» são as palavras de ordem mais gritadas pelos manifestantes, que empunham ainda vários cartazes com frases contra as políticas de austeridade.

Entre os cartazes, pode ler-se: «Não somos dívida» e «Mãe se eu roubar vou para o inferno? Não filho vais para o Governo», destacando-se ainda um outro manifestante que, na cabeça, tem um barco de madeira em formato de chapéu e onde está escrito: «Portugal é um barco naufragado».

Entre os manifestantes encontra-se o grupo Amarantinos, de bombos e gigantones, vindos de Vialonga.

Na concentração no Martim Moniz, o líder da CGTP-IN, Arménio Carlos, em declarações aos jornalistas, considerou que «Portugal só tem futuro com uma nova política e um novo Governo».