A eurodeputada socialista Elisa Ferreira negou esta segunda-feira responsabilidades na ausência de Teixeira dos Santos na reunião com o Parlamento Europeu sobre a troika e disse que coube ao ex-primeiro-ministro José Sócrates escolher quem o acompanharia.

«Só houve troika porque havia um primeiro-ministro chamado Sócrates»

Interrogada sobre a ausência na reunião do ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos, que em 2011 esteve na primeira linha das negociações do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), a eurodeputada socialista Elisa Ferreira deu a seguinte resposta:

«Houve uma proposta minha que deu origem a esta reunião e essa proposta incluía que fossem contactados os responsáveis na altura em que foi pedida ajuda [externa], tendo em vista possibilitar uma situação de clareza total sobre a situação de partida» do PAEF, começou por justificar Elisa Ferreira.

De acordo com a ex-ministra dos governos de António Guterres, «o staff e os relatores [dois eurodeputados, um do conservador e outro socialista] contactaram depois os anteriores governos dos países que vão ser visitados» pela delegação do Parlamento Europeu.

«Nos casos em que há o primeiro-ministro, responsável máximo da altura, cabe-lhe saber com quem quer estar acompanhado», esclareceu então a eurodeputada socialista sobre a ausência de Teixeira dos Santos.

Questionada se não se impunha a presença do ex-titular da pasta das Finanças Teixeira dos Santos na reunião com a delegação do Parlamento Europeu, Elisa Ferreira desdramatizou, considerando tratar-se de «um pormenor mediático».

«É sempre possível os relatores contactarem quem mais quiserem se acharem que não têm informação suficiente. Estamos aqui a analisar uma questão muito mais importante do que essas questões internas se está presente o 'A' ou o 'B'. A Europa atravessou uma fase crítica, recorreu-se à troika e temos de analisar se a Europa pode continuar a funcionar sem outros instrumentos que não sejam estes. Isso é o essencial do que estamos a fazer», contrapôs.

Na perspetiva da eurodeputada socialista, «seria incompreensível para os cidadãos caso tivesse havido um período de troika na União Europeia sem que o Parlamento Europeu analisasse o bom e sobretudo o mau dessa experiência».

«Espero que esta experiência não se repita e que a Europa preencha o que falta na arquitetura da zona euro para dispor de instrumentos para combater uma crise num país ou no próprio continente. É também importante que os erros cometidos na agenda económica para Portugal não se repitam na próxima fase de saída da troika. Há ilações que têm de ser apropriadas pelos portugueses na negociação que vai acontecer a partir da primavera deste ano», declarou numa alusão ao provável programa cautelar a que o país poderá ser sujeito no final do atual programa de assistência financeira.

Interrogada se os socialistas assumem uma quota parte de culpas na execução dos programas de assistência financeira, a eurodeputada socialista Elisa Ferreira recusou essa perspetiva em termos de aferição de culpas.

«É preciso antes sermos objetivos, olharmos para os números, para aquilo que foi recomendado e para aquilo que era expectável nos duríssimos programas de ajustamento e analisarmos depois por que razão não foram atingidos os objetivos. Temos de perceber o que se passou, evitar cometer erros daqui para a frente e também, no caso português, evitar cometer erros já na próxima fase que temos de negociar a partir da próxima primavera», respondeu Elisa Ferreira.