Mário Soares insiste na demissão do Presidente da República e do Governo. Em entrevista à TVI24, o histórico do PS considera que o país está a caminhar para «o abismo» e para um período violento.

«Os portugueses estão desesperados», acho «que isto vai entrar em violência, é altura de irem [Presidente e Governo] para casa sossegadinhos e ainda em paz», disse Mário Soares na entrevista transmitida esta quarta-feira.

A entrevista ao programa «Política Mesmo» surgiu a propósito de uma reunião que o antigo presidente da República promove na quinta-feira em Lisboa e que, disse, ter o objetivo patriótico de «salvar Portugal».

Na meia hora de entrevista, Mário Soares não se cansou de criticar Cavaco Silva, acusando-o de não respeitar a Constituição e de só se preocupar com o PSD. Mário Soares considerou que o Presidente da República devia demitir-se porque «é mais responsável ainda» do que o Governo e não está a defender a Constituição.

«A Constituição tem de ser cumprida por todos e o Presidente infelizmente não a defende. Ele só se interessa pelo seu partido. Naturalmente, devia demitir-se, porque está numa situação impossível e só fala com um partido», afirmou. Sublinhando que não vê «magistratura de influência nenhuma», o ex-chefe de Estado acusou Cavaco Silva de estar «preocupadíssimo em manter um Governo que é ilegítimo e que está a desgraçar o país».

«O Presidente é mais responsável ainda do que o Governo», reforçou, lembrando que nunca nenhum Presidente da República tinha sido vaiado. «Eu se fosse a ele demitia-me. Um tipo não pode sair à rua sem ser vaiado e é o Presidente da República. Eu demitia-me», vincou.

Para Mário Soares, «o país só está a funcionar para uma série de pessoas que gastam dinheiro à bruta». Frisando que seria de «evitar», o histórico do PS acredita que «isto vai necessariamente para a violência», porque «as pessoas estão desesperadas». O antigo estadista deu como exemplos o aumento da emigração, dos suicídios e da criminalidade.

Com «um Governo ilegítimo», «sem princípios e sem valores», que está a «desgraçar o país», que tem contra ele polícias, magistrados, militares, universidades e «todo o mundo», e que «gasta dinheiro à bruta, a violência é inevitável», reiterou.

«Os magistrados e a justiça estão todos contra o Governo»



Interpelado pelo jornalista sobre a insatisfação popular na altura em que ele próprio, Mário Soares, também foi primeiro-ministro, o antigo estadista respondeu que não há comparação possível.

«Nada que se compare. Qual insatisfação? Eu nunca tive ninguém que me vaiasse, eu nunca deixei de andar na rua, de ir a todos os restaurantes, de falar com todas as pessoas que queriam falar comigo. Nunca. Andei sempre a passear como quis em todo o país, felizmente», afirmou.

O antigo Presidente deixou ainda outra opinião: «Com este Governo e com o Presidente, o PS não devia fazer o que quer que seja». Para Mário Soares, «só se o PS fosse parvo é que agora ia acudir a esse consenso». O também conselheiro de Estado justificou que não há entendimento possível porque os socialistas foram «humilhados» nos últimos dois anos.



Quanto à reunião de quinta-feira «Em defesa da Constituição, da Democracia e do Estado Social», Mário Soares explicou que ela serve para as pessoas pensarem sobre «o que está em jogo e o que vai acontecer a todos». Quase a fazer 89 anos, o antigo Presidente da República disse que não quer mais fazer política. «Agora estou empenhado em salvar Portugal», declarou.