Passos Coelho garantiu no debate quinzenal na Assembleia da República que o Governo não vai alargar os cortes em salários ou pensões para 2015 mas admitiu que as medidas restritivas são para manter, e que estas levaram a uma «degradação dos rendimentos». O que levou a oposição (além do PS, cujo líder manteve um debate tenso com o primeiro-ministro ao longo da manhã) a falar em admissão de empobrecimento dos portugueses, bem como de «traição».

«As políticas que prosseguimos que implicaram redução de rendimento não são para substituir de um ano para o outro», disse Passos Coelho, respondendo a uma questão do Bloco de Esquerda.

João Semedo, coordenador do BE, insistiu na ideia de que que a política do Governo é contrária ao crescimento económico do país. «Como é que se reduz o défice? Só há uma forma, que é fazer crescer a economia. O problema é que a sua política fez exatamente o contrário. E não venha falar nos pequenos pozinhos de crescimento que tem todos os dias anunciado, porque eles, como sabe tão bem como eu, têm pés de barro, são pouco consolidados, e em qualquer momento podemos entrar novamente em regressão económica», declarou.

Quanto ao PCP, levou Passos Coelho a reconhecer que «não há nenhuma política de ajustamento que traga recessão que não traga uma diminuição do Produto Interno Bruto e, nessa medida uma degradação dos rendimentos».

«Ainda bem que há um reconhecimento de que a pobreza é a consequência e o objetivo da política deste Governo, a que chamam de ajustamento», retorquiu Jerónimo de Sousa, avançando com exemplos de «insensibilidade», por exemplo nos cortes de subsídios e abonos a crianças com deficiência ou necessidades educativas especiais.

Jerónimo ironizou também com a tensão entre Passos Coelho e António José Seguro, secretário-geral do PS: «Em tom humorístico, diria que essa tensão não passa de um «diz o roto ao nu porque não te vestes tu.»

Pelos Verdes, Heloísa Apolónia acusou Passos Coelho de «traição» aos portugueses por «querer tornar definitivos» cortes tidos por provisórios. «O senhor há-de ficar na história como o primeiro-ministro que criou mais pobres em Portugal. Os portugueses têm direito à indignação», disse a deputada.

«Não fui eu que trouxe o país ao resgate financeiro, mas sou eu que vou tirar o país do resgate financeiro. Não tenha dúvidas», respondeu Pedro Passos Coelho.