O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou nesta terça-feira as declarações recentes do líder parlamentar do PSD, acusando Luís Montenegro de montar um «embuste» e sublinhando que Portugal não pode estar melhor quando o «povo está pior».

«Como é que um país pode estar melhor quando o seu povo está pior? Há aqui uma contradição insanável», disse Jerónimo de Sousa aos jornalistas no final de um encontro em Lisboa de uma delegação comunista com o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).

O líder do PCP falava depois do líder parlamentar social-democrata ter dito ao Jornal de Notícias, na sexta-feira passada, que a vida dos portugueses não está ainda melhor mas «a vida do país está muito melhor» por comparação com 2011, quando Portugal pediu ajuda financeira externa.

O PCP critica esta posição, realçando contudo que "alguns portugueses estão de facto melhor", nomeadamente os "detentores de grandes fortunas e os grandes grupos económicos e financeiros".

«Desligar o país do povo, considerar que o país está bem e o povo está mal, é de facto um embuste colossal. O país não está bem porque o seu povo não está bem», declarou Jerónimo de Sousa.

Sobre o recente congresso do PSD e o diálogo «fulanizado» entre os «laranjas» e o PS sobre os cabeças de lista às europeias de maio, o comunista reclama que os portugueses devem focar a discussão nas propostas de todos os partidos sobre o papel da União Europeia e de Portugal no conjunto dos 28 Estados-membros.

No que refere à reunião hoje tida, Jerónimo de Sousa diz que é «importante valorizar os politécnicos», e criticou o Governo pelas diminuições das transferências do Estado no setor da Educação.

«Levam os correios, levam os tribunais, levam os serviços públicos. Obviamente que se levarem os politécnicos isto terá consequências dramáticas para o nosso país», advertiu o secretário-geral e deputado do PCP.

O presidente da CCISP, Joaquim Mourato, reconhece que as preocupações financeiras dos politécnicos são «muito grandes», num percurso de decréscimo de financiamento que «vem de há sete, oito anos» e que este ano, possivelmente «já daqui a poucos meses», pode motivar «grandes dificuldades até para o cumprimento de remunerações com pessoal».