A Coligação Democrática Unitária (CDU) descreveu o maior partido da oposição, PS, como inquieto e «mais preocupado com a alternância do que com uma verdadeira alternativa», condenando a aprovação em Bruxelas da reforma da Política Agrícola Comum (PAC).

«Criticámos a decisão do Governo de aceitar uma reforma da Política Agrícola Comum que é ruinosa para o nosso país, mas o PS esteve lá a aprová-la também. Estamos aqui numa iniciativa com agricultores e é importante dizer que PS, PSD e CDS votaram essa reforma juntos», disse o eurodeputado comunista e recandidato João Ferreira.

O cabeça de lista da coligação que junta ainda «Verdes» e Intervenção Democrática ao PCP reuniu-se, esta segunda-feira, com responsáveis da Confederação Nacional da Agricultura, em Coimbra.

«O que inquietará o PS? Não deveria estar mais preocupado em combater as políticas do Governo que nos trouxeram à situação desastrosa em que se encontra agora o país?», questionou, relativamente a declarações por parte dos socialistas que incitaram CDU e Bloco de Esquerda a lutar contra a maioria PSD/CDS-PP em vez de escolherem o «partido rosa» como alvo.

João Ferreira adiantou uma explicação: «Creio ser visível e claro que há, neste momento, em torno da CDU e suas propostas um reconhecimento de que, de facto, há aqui uma força que é diferente daqueles que têm sido todos iguais nos últimos anos. Isso, eventualmente, inquietará aqueles que estarão mais interessados numa alternância, numa dança de cadeiras, do que numa verdadeira alternativa».

O também vereador da Câmara Municipal de Lisboa considerou a nova reforma da PAC «prejudicial porque desmantela quaisquer instrumentos de regulação da produção ainda existentes, nomeadamente as quotas leiteiras».

«É uma reforma desastrosa para Portugal porque mantém desigualdades inaceitáveis na distribuição das verbas da PAC entre países. Há, pelo menos, 20 anos que se fala numa convergência nos pagamentos entre países. Essa convergência voltou a ser adiada até 2030. Os agricultores portugueses continuam a ter de competir num mercado livre e desregulado com produtores que recebem duas ou três vezes mais os pagamentos por hectare», lamentou.