O Presidente da República disse esta sexta-feira que «não se podem ignorar» as vozes que se fazem ouvir na rua, quando questionado sobre a manifestação de quinta-feira, que juntou milhares de elementos das forças de segurança, em Lisboa.

Cavaco recebido com apupos e apitos no Algarve

Passos recusa comentar manifestação de polícias

«Acho que nunca se pode ignorar as vozes que se fazem ouvir na rua, quaisquer que elas sejam desde que se apresentem como razoáveis», disse Cavaco Silva, questionado pelos jornalistas à margem da visita que hoje efetuou a uma exploração de frutos vermelhos, em Silves, no Algarve.

O Presidente da República acrescentou que, de acordo com as informações de que dispõe, «houve bom senso e a contenção acabou por prevalecer» durante a manifestação das forças de segurança, pelas quais afirmou que tem «grande consideração».

«Tenho imensa consideração pelas nossas forças policiais e das Forças Armadas. As forças policiais têm uma responsabilidade muito grande porque elas têm de ser o exemplo no cumprimento das leis da República», sublinhou Cavaco Silva.

O chefe de Estado destacou ainda a atuação dos profissionais das forças de segurança «que mantiveram a disciplina e a ordem pública», acrescentando que o «fizeram com grande profissionalismo».

Cavaco Silva recordou que Portugal é um Estado de Direito «e as regras e a democracia não podem deixar de ser respeitadas», frisando que «os direitos dos cidadãos estão consagrados na Constituição e devem ser exercidos no respeito pelas leis da República».

«É preciso não esquecer que todo o nosso esforço neste momento não pode deixar de estar orientado para o reforço da economia, o crescimento económico, a melhoria das condições sociais e a criação de emprego», destacou.

«Para isso acontecer o país tem de ter paz, segurança e tranquilidade pública. É fundamental que todos os portugueses estejam bem conscientes disso», concluiu.

O Presidente da República realizou esta sexta-feira no Algarve, uma jornada dedicada à agricultura, com paragens nos concelhos de Faro, Tavira, Loulé e Silves.

No final da visita, à chegada às estufas de frutos vermelhos (morangos e framboesas) Celpaberry, em Silves, Cavaco Silva foi recebido com apupos por dezenas de manifestantes, que gritaram «demissão» e empunhavam cartazes contra as medidas de austeridade do Governo.

Os cerca de cinquenta manifestantes ostentavam cartazes onde se podia ler «Mudar de política e de Governo», «Contra o desemprego e a precariedade», «Derrotar este Governo, a troika e as suas políticas» ou «Defesa do Hospital do Barlavento» e sopravam ruidosamente em apitos.

Cavaco Silva ignorou os manifestantes, tendo a viatura que o transportava entrado diretamente para as instalações da exploração agrícola.