O social-democrata Miguel Relvas criticou hoje a oposição, defendendo que os caminhos alternativos ao da maioria PSD/CDS-PP são «cantos da sereia» que levariam à tragédia, num discurso que leu perante o Conselho Nacional do PSD.

De acordo com fontes sociais-democratas, nesta reunião do órgão máximo do PSD entre congressos Miguel Relvas recebeu uma salva de palmas antes de falar e foi aplaudido no final.

Na sua intervenção escrita, a que a Lusa teve acesso, o ex-ministro adjunto manifestou ter recebido com «grande surpresa» as «análises patéticas de alguns comentadores» sobre o alegado «mistério» do seu regresso ao Conselho Nacional do PSD.

«Vou aqui revelar o mistério da minha decisão de aceitar o convite do presidente do PSD», afirmou, acrescentando: «Sendo militante do PSD há 34 anos, tendo tido a diversos níveis uma atividade política quase ininterrupta, achei que devia estar ao servido do PSD, na medida das minhas possibilidades».

No final da sua intervenção, Miguel Relvas declarou aos seus companheiros de partido: «Há um ditado chinês que diz: quando os ventos sopram fortes, alguns abrigam-se, outros constroem moinhos. Eu escolhi sempre construir moinhos, convosco».

Antes, deixou um apelo: «Importa que nós, os PSDs que estão deste lado da barricada, não percamos a esperança que nos anima e nos faz andar para a frente».

O ex-secretário-geral do PSD começou o seu discurso considerando que Portugal vive «tempos de dificuldades e incertezas» e que no futuro próximo continuarão a não ser fáceis, mas está «a recuperar a confiança internacional».

Miguel Relvas enalteceu o «trabalho árduo e diário» do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e do Governo PSD/CDS-PP, e os «esforços» dos portugueses.

«Em todos os momentos cruciais, o PSD e o Governo liderado pelo nosso presidente escolheram este caminho difícil, e é este caminho difícil que o PSD e os portugueses estão dispostos a percorrer, porque estão cientes de que os caminhos alternativos são cantos da sereia que nos levariam à tragédia», defendeu.

No que respeita ao seu regresso ao Conselho Nacional do PSD, Miguel Relvas declarou: «Julgo não dever ignorar as reações que pude ver, ouvir e ler quanto ao convite que me foi formulado - e que muito me honrou - para encabeçar uma lista a este conselho nacional e quanto à aceitação, por mim, desse mesmo convite».

«Confesso que foi com grande surpresa que dei conta das análises patéticas de alguns comentadores», prosseguiu, alegando que existem «comentadores de primeira, de segunda e aprendizes de comentadores» e que «errar, enganar-se e não acertar é o ADN comum desses comentadores».

«Depois de tantos anos de militância ativa, pertencer a este órgão partidário e nele dar o meu melhor contributo ao nosso partido foi o único motivo da minha decisão. Ora aqui está desvendado o mistério. Os brilhantes comentadores recusam descobrir coisas simples», concluiu Miguel Relvas.