O Presidente da República voltou hoje a insistir na importância da cultura do compromisso, sustentando que «há certas boas atitudes» que levam tempo até se instalarem no funcionamento normal da democracia.

«A cultura do compromisso que predomina na maioria dos países da União Europeia, tem tido dificuldade em instalar-se na nossa democracia. Mas, eu considero que é preciso insistir e todos aqueles que estejam conscientes de que a cultura do compromisso é essencial para o nosso futuro coletivo não devem deixar de insistir», disse o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa breve intervenção no encerramento da conferência «Portugal: Rotas de Abril», que decorreu desde sexta-feira na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

Sublinhando que não irá deixar de insistir neste apelo, Cavaco Silva sustentou que «há certas boas atitudes que levam tempo até se instalarem no funcionamento normal da democracia» e, no caso de Portugal, é o que acontece com a cultura do compromisso.

«Os portugueses, enfim, estão conscientes dos desafios que Portugal enfrenta neste momento crucial da sua história. Reconhecem e valorizam o compromisso como pressuposto essencial de governabilidade e desenvolvimento numa perspetiva nacional de médio prazo», referiu ainda o Presidente da República, num dia em que o primeiro-ministro e o líder do PS, em entrevistas ao Expresso, não excluem acordos de Governo.

O problema do desenvolvimento foi outra dos questões abordadas na intervenção do chefe de Estado, com o Presidente da República a alertar que os portugueses «aspiram viver num país mais desenvolvido, o que implica, por um lado, crescimento económico e combate ao desemprego e, por outro lado, uma defesa intransigente da transparência na vida pública e salvaguarda da justiça social».

«Cumprimos a liberdade há quarenta anos atrás. Falta cumprir o desenvolvimento, para que a nossa democracia corresponda aos sonhos nascidos numa madrugada de abril», sublinhou.

Aliás, acrescentou o chefe de Estado, para os jovens a liberdade é hoje um «valor adquirido», mas, em contrapartida, existem «ambições legítimas» que os mais novos não têm por adquiridas ou garantidas, como a segurança no emprego, a possibilidade de afirmar o seu talento ou a capacidade de constituir família e assegurar a sua autonomia.

«Foi para ajudar a cumprir essas ambições que esta conferência se realizou», disse, recordando que o encontro juntou oradores portugueses e estrangeiros e abrangeu temas tão diversos como a cidadania e o compromisso, os desafios da sociedade do conhecimento e a importância da inovação e da competitividade para um crescimento sustentável.

«Vozes autorizadas e independentes, reconhecidas pela sua lucidez, pelo seu saber e pela sua experiência, vieram confirmar as nossas intuições e as nossas convicções: o Portugal que nasceu há 40 anos é um projeto de justiça e de bem-estar que tem de ser constantemente alimentado pela qualidade da democracia e a esperança de um futuro melhor», disse.

Na sua intervenção, o Presidente da República recuperou ainda outro tema por si já bastante desenvolvido, insistindo que apesar dos portugueses se reverem na democracia como «forma ideal de Governo», existem «sinais de um progressivo distanciamento dos cidadãos relativamente à atividade política».