O BE vai avançar com uma queixa para a Comissão Nacional de Eleições sobre o Conselho de Ministros marcado para sábado, durante a campanha eleitoral, acusando a direita de fazer «propaganda» com os meios do Estado.

Ao final da manhã desta segunda-feira, a cabeça de lista do BE, Marisa Matias, tinha dito que estava em aberto a possibilidade de o partido apresentar queixa sobre esta questão, depois do porta-voz da CNE ter admitido, em declarações à agência Lusa, que este anúncio marcado pelo Governo suscita dúvidas relativamente à imparcialidade durante uma campanha eleitoral, não atuando, no entanto, sem haver uma queixa.

Já em Salvaterra de Magos, em declarações aos jornalistas, Marisa Matias confirmou que o BE vai apresentar queixa na CNE ainda esta tarde, justificando esta decisão com o facto de «o fracasso das políticas do Governo» fazerem com que a direita use «as instituições do Estado e os dinheiros públicos para fazer a única coisa que sabe, que é propaganda».

«Há quatro dias exatamente o Governo realizou um Conselho de Ministros extraordinário - que aliás se transformou num comício - para dizer que não queria interferir com as eleições e portanto para não fazer esse anúncio no dia 17 de maio. Ao fazê-lo agora percebe-se muito bem a nervoseira em que está», criticou.

Interrogada sobre se esta posição surge depois de ter sido tornada pública a queixa da CDU sobre este mesmo tema, a cabeça de lista bloquista garante que o BE tomou a decisão «antes de ser conhecida a da CDU».

«De qualquer das formas eu acho que se deve fazer queixa e entendemos que devíamos fazer e foi por isso que fizemos», disse.

Em declarações a agência Lusa, o porta-voz da CNE, João Almeida, afirmou que «em abstrato, comportamentos dessa natureza durante um período de campanha eleitoral, sem haver razões especiais que os possam fundamentar não é muito leal».

O responsável sublinhou, no entanto, que não existe nenhuma posição definida pela CNE, já que «todas as apreciações são sempre feitas em função dos casos concretos em que elas ocorrem».

O primeiro-ministro marcou para dia 17 de maio - oito dias antes das eleições para o Parlamento Europeu - um Conselho de Ministros para aprovar o «documento de estratégia de médio prazo».