A Europa não é responsável da crise, não pode converter-se na sua vítima e pode perder-se caso os elementos básicos da sua construção sejam abandonados, defendeu esta quinta-feira o presidente da Comissão Europeia.

Durão Barroso falava no Real Mosteiro de Yuste (Cáceres), onde hoje recebeu, das mãos do príncipe das Astúrias, o Prémio Carlos V 2012, no valor de 45 mil euros, em reconhecimento pelo seu papel na defesa do interesse geral num período de crise e pela contribuição para o desenvolvimento da Europa.

O presidente da CE decidiu destinar ao Liceu Camões e à Associação Cais os 45 mil euros do prémio, segundo disse à Lusa fonte do gabinete de Durão Barroso em Bruxelas. O valor total do prémio ascende a 90 mil euros, mas, deste montante, os galardoados destinam metade a bolsas de estudo promovidas pela Academia Europeia de Yuste.

Num discurso de defesa do modelo europeu, Durão Barroso recordou que os egoísmos nacionais, os nacionalismos extremos e os conflitos estão a pôr em risco a aspiração à unidade europeia, sonho «indestrutível» do pensamento europeu e pelo qual o modelo europeu se continua a bater.

Um modelo que continua a ser inspirador, apesar da atenção se centrar quase exclusivamente na crise, enalteceu, falando perante os chefes de Governo de Portugal e Espanha, Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy, respetivamente, entre outras individualidades.

Barroso disse ser «muito consciente do desassossego» dos cidadãos europeus, nomeadamente os de Espanha e Portugal, «que não são responsáveis da crise e que, apesar disso, são com demasiada frequência as suas primeiras vítimas».

«A todos quero dizer que a Europa também não é responsável da crise e que não seria bom se se convertesse numa vítima dela. A Europa não é o problema, é uma parte da solução», defendeu, considerando que ignorar isso pode «sair caro» à Europa e aos europeus.

Barroso relembrou que a crise financeira internacional, que «contaminou a Europa» se somou «em alguns países europeus» ao «laxismo orçamental, vulnerabilidades competitivas, excessos financeiros e, a nível europeu, a carências do modelo de governação política».

Cenário a que a UE, destacou, responde de forma «solidária e responsável», mobilizando 700 mil milhões de euros para «evitar a queda dos países mais afetados pela crise».

Esforços que, considerou, estão a começar a dar frutos com «os mercados mais calmos e os primeiros sinais de recuperação», a Europa a «dar grandes passos adiante» e o euro «preservado e reforçado».

Apesar dos progressos, Barroso recordou que ainda permanecem dificuldades, especialmente perante o desemprego, «o maior drama que a Europa enfrenta», e que a mobilidade «deve ser uma opção e não, como muitas vezes acontece, a única alternativa» para os mais jovens.

Rajoy destaca «talento e trabalho» de Barroso

O presidente do Governo espanhol destacou hoje o papel do presidente da Comissão Europeia por conseguir tornar real «a irreversibilidade do projeto europeu».

«Durão Barroso contribuiu com o seu compromisso, trabalho e talento para tornar realidade uma vontade partilhada pela maioria dos espanhóis, eu incluído: o de tornar real a irreversibilidade do projeto europeu. Já não há marcha atrás. Só resta caminhar em frente», afirmou.

Mariano Rajoy foi o responsável pelo laudatório a Durão Barroso, que hoje se inclui na lista dos galardoados com o Prémio Carlos V, que reconhece o papel dos que trabalharam em prol da integração e do fortalecimento do projeto europeu.

Outorgado pela Fundação Real Academia de Yuste e dotado com 45.000 euros, o prémio recorda o papel de Barroso durante a crise financeira europeia, por «apostar sempre na União Europeia para enfrentar os desafios» da atualidade.

Para Rajoy este prémio constitui «um ato de europeísmo e um convite à reflexão sobre a Europa e a sua construção» em que Durão Barroso «teve um papel de primeira ordem na última década».