As eleições de domingo registaram uma taxa de abstenção de 47,4%, a mais alta de sempre em autárquicas, confirmando uma tendência crescente desde o escrutínio autárquico de 1982.

De acordo com os dados oficiais publicados no site da Direção Geral de Administração Interna cerca das 18:00, (quando falta apurar uma freguesia) 47,4 por cento dos 9.492.396 eleitores inscritos optaram por não exercer o direito de voto nas autárquicas de domingo. Foram às urnas 4.992.490 eleitores. A abstenção foi, assim a grande «vencedora» das eleições.

A mais alta abstenção de sempre em eleições locais

Os dados finais revelam que o PSD obteve nas autárquicas de domingo, sozinho e coligado, um total de 106 presidências de câmara, o seu pior resultado desde que se realizaram pela primeira vez eleições para as autarquias locais, em 1976.

No ato eleitoral deste domingo, os sociais-democratas ganharam 86 câmaras em listas próprias e outras 20 em coligações: 16 com o CDS-PP, duas com CDS-PP e o PPM, uma com o PPM e uma com CDS-PP, PPM e MPT.

O pior resultado de sempre dos sociais-democratas



Pelo contrário,o PS tem razões para sorrir: venceu no domingo as eleições autárquicas em número de votos, em número de câmaras, reconquistando a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), e dominou nos principais centros urbanos do país.

Nestas eleições, o PS ultrapassou os 1,8 milhões de votos, cerca de 36 por cento, conseguiu mais de 900 mandatos e venceu, até agora, 148 câmaras sozinho e uma (no Funchal) liderando uma coligação.

PS conquista o maior número de câmaras de sempre

O CDS-PP conquistou no domingo a presidência de cinco autarquias, mais quatro do que nas últimas eleições autárquicas, o maior número de câmaras desde 1997, tendo obtido pouco mais de 150.000 votos, menos que os 171.049 votos de 2009.

Portas não se quis colar ao PSD, apesar de ser um dos partidos no Governo e congratulou-se com o seu «penta». Os centristas mantiveram a presidência da Câmara de Ponte de Lima (distrito de Viana do Castelo), e conquistaram a presidência das autarquias de Albergaria-a-Velha (distrito Aveiro), Vale de Cambra (distrito Aveiro), Velas (nos Açores) e Santana (na Madeira).

CDS-PP com melhor resultado em número de câmaras desde 1997

Quem também marcou no campeonato das autárquicas foi o PCP e a CDU. A Coligação Democrática Unitária (CDU) ganhou domingo as «grandes» autarquias de Loures, Évora e Beja, as «simbólicas» Grândola e Cuba e manteve o poder na maioria dos municípios onde reinava, reforçando-se noutros.

Loures, com a consequente perda do líder parlamentar comunista - Bernardino Soares, que deixará o posto para ser presidente da câmara -, Évora, Beja, Alcácer do Sal, Vila Viçosa, Monforte, Alandroal, bem como a «Vila Morena», Grândola, e a pequena Cuba são os novos «feudos» da CDU, quase todos reconquistados aos socialistas, muitos onde se sentia um «jejum» de mais de uma década.

CDU superou os objetivos

O Bloco de Esquerda (BE) falhou dois dos objetivos a que se propôs nas autárquicas de domingo, tendo perdido a Câmara de Salvaterra de Magos, única a que presidia, e falhado a eleição de um vereador em Lisboa.

BE vive a desilusão com perda de Salvaterra