O líder do movimento democrata-cristão Alternativa e Responsabilidade (AR) Filipe Anacoreta Correia desafiou este sábado Paulo Portas a acolher as suas propostas e disse que «se for preciso» avança com uma candidatura à liderança.

«Darei a cara, irei a votos. Chamo-me Filipe Anacoreta Correia, tenho 41 anos, se for preciso serei candidato à liderança do CDS-PP. Eu estou disponível e o partido pode sempre contar com o meu contributo mas é o presidente do partido que tem a responsabilidade de dizer que é possível somar», afirmou.

Crítico da atual direção, Filipe Anacoreta Correia começou a sua intervenção a afirmar que «nunca se pôs em bicos de pés» e que desapontaria quem esperasse «um facto político», uma «candidatura que desafie Paulo Portas».

«Não considero que a reeleição de Paulo Portas seja o que está fundamentalmente em causa neste Congresso», considerou, frisando que o seu objetivo é que o presidente do partido reconheça que «não está tudo bem» e integre, como «de todos», propostas do AR.

«Acentuamos mais o conteúdo das propostas do que uma candidatura à liderança. Haverá quem queira ver nisso uma demissão, uma atitude inconsequente. Haverá quem queira desafiar-me. Porque não uma candidatura? Ninguém me condiciona. Sou dono e senhor dos meus atos. Se há coisa que não tenho medo é de perder», garantiu.

Como primeiro subscritor de uma moção de estratégia global, Anacoreta Correia tem o direito a candidatar-se à liderança do CDS-PP. De acordo com o regulamento do Congresso, as moções serão votadas em urna a partir da meia-noite.

As eleições para os órgãos de direção do CDS-PP realizam-se domingo de manhã.

Afirmando-se contra o que considera o «segregacionismo institucional», Anacoreta Correia disse alegrar-se com «o apoio e disponibilidade de Luís Nobre Guedes para voltar a ocupar um cargo no partido», referindo-se à presidência do Conselho Nacional do CDS-PP.

«É um importante sinal e cabe ao partido dar uma resposta a esse sinal», considerou.

Filipe Anacoreta Correia considerou ainda que não foram satisfatórias as explicações de Paulo Portas sobre a crise política de julho, afirmando que «gostava de poder dizer que não foi uma fraqueza».

«O risco de ter comido do fruto proibido»

Anacoreta Correia acusou a direção do CDS-PP de ter ficado «aquém das expetativas» e considerou que, no Governo, parece ter gostado «do fruto proibido».

«Nada nos impede de avançar com a eliminação de estruturas administrativas que se transformaram em pratos servidos a clientelas partidárias onde agora se inclui também a nossa», criticou.

«De um partido não socialista, alternativo e inconformista, corremos o risco de ter comido do fruto proibido e o pior é que parece que muitos de nós gostaram. E corremos o risco de ser um partido do sistema, vulnerável aos fortes e incapaz de defender os fracos», acrescentou o conselheiro nacional, que lidera a única tendência organizada crítica da atual direção do CDS-PP.

Primeiro subscritor da moção «Ao serviço de Portugal», Filipe Anacoreta Correia defendeu um «sistema político regenerador», por exemplo, «criar lugares vazios correspondentes aos votos em branco» na Assembleia da República.

«A verdade é que, confrontados com reformas estruturais mais importantes não fomos capazes de as liderar. Não vale a pena inventar álibis ou desculpas, ninguém nos impediu de apresentar uma proposta que passe pela fusão de municípios e pela sua redução para metade», criticou.

Sobre as eleições europeias, defendeu que o Congresso «deve sentir-se livre para escolher» e questionou o presidente do CDS-PP se os militantes «têm ou não essa liberdade».