Alexandre Relvas acusa a esquerda de atirar para as gerações futuras o pagamento das dívidas do país e diz que, em Portugal, os pais andam a viver à conta dos filhos. Declarações proferidas na Universidade de Verão do PSD, onde o empresário e antigo diretor de campanha de Cavaco Silva defendeu legislação laboral mais flexível para criar oportunidades de emprego para os jovens.

De acordo com a Lusa, Alexandre Relvas alertou para a «profunda injustiça» que existe em relação aos jovens. Sublinhando a necessidade de os jovens serem colocados na «agenda política», Alexandre Relvas notou que as carências em termos de educação que existem em Portugal não têm que ver com a formação em termos de ensino superior, mas com a formação a nível do secundário.

«É uma realidade que vai afetar profundamente o país. Apenas 50% dos jovens acabam o ensino secundário, há um abandono escolar que atinge quase um terço dos jovens», sublinhou o antigo dirigente do PSD, considerando que, quando se olha para a realidade portuguesa, «há em relação aos jovens uma profunda injustiça».

«O país precisava de pensar o contrato intergerações, há uma profunda injustiça por causa da questão da segurança social, uma profunda injustiça pela incapacidade que têm 30% ou 40% dos jovens de encontrar primeiro emprego, pela pobreza na juventude, pobreza na juventude é muito mais marcante do que a pobreza média no país, mas um dos fatores fundamentais porque se devia lutar tem que ver com o ensino secundário», insistiu o empresário.

Antes deste alerta, o empresário tinha já dedicado grande parte da intervenção a enaltecer as qualidades de Portugal, confessando-se cansado de ouvir dizer mal do país.

«Estou cansado de depender de decisões externas ao meu país e estou cansado que se diga mal do meu país, estou cansado que tenhamos uma visão negativa sobre o futuro. Este país é muito melhor do que nós todos dizemos e há razões para estar otimista sobre o futuro», frisou.

O antigo presidente do Instituto Sá Carneiro e diretor da primeira campanha presidencial de Cavaco Silva falou ainda da «crise de alma» que Portugal vive.

«Acho que o país vive uma profunda crise, quer económica, quer financeira, quer social, mas acima destas crises todas, e tem a ver muito com a nossa maneira de ser, vivemos uma crise de alma, temos uma profunda descrença, uma falta de confiança nas nossas capacidades e no futuro, os portugueses são pessimistas, são fatalistas e em momentos de dificuldades mais se acentua esse pessimismo e o pessimismo», disse, reiterando que os portugueses são muito melhores do que pensam e têm muito mais potencial do que aquilo que acreditam ser possível.

Seguindo esta linha de pensamento, o empresário falou também longamente sobre «as vantagens extraordinárias» que existem em Portugal para o investimento e as qualidades do país, como «o bom ambiente de negócios», «bom sistema de saúde» ou a segurança, entre muitos outros aspetos.

Alexandre Relvas deixou ainda elogios à atual estrutura empresarial portuguesa, notando que já é «fortemente competitiva» e que «há um futuro em termos de exportações».