O ministro da Defesa defendeu esta quarta-feira que, por princípio, o pedido de transbordo de material químico deve ser considerado e que essa avaliação deve ser feita, invocando que é resultante de uma resolução das Nações Unidas.



Armas sírias podem não passar por Portugal

«Não é, por princípio, uma situação que não deva ser considerada, pelo contrário, deve ser considerada dado o contexto em que se insere», afirmou Aguiar-Branco, em declarações aos jornalistas.

O governante sublinhou que o pedido «é também resultante de uma resolução das Nações Unidas que significa que cabe naquilo que é a avaliação que deve ser feita» no âmbito da «participação solidária» de Portugal.

Aguiar-Branco recusou, porém, indicar se já existe uma posição oficial em relação ao pedido concreto, afirmando que é ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que cabe «em primeira mão» o acompanhamento e «o controlo» da matéria e que o Ministério da Defesa «é uma parte».

Questionado sobre se a posição que Portugal adotar nesta questão condicionará de alguma forma o futuro da Base das Lajes, o ministro recusou esse cenário, afirmando que o acordo das Lajes «tem todo um processo desenvolvido» e que está a decorrer e que o pedido de transbordo dos produtos químicos da Síria «é uma operação casuística».

As autoridades norte-americanas contactaram Portugal para avaliar a possibilidade de realizar o transbordo de material químico proveniente da Síria num porto nos Açores, mas ainda não houve decisão, disse à Lusa fonte oficial do ministério dos Negócios Estrangeiros.

Em comunicado enviado à Lusa, na terça-feira, o MNE afirma que Portugal foi um dos países contactados pelos Estados Unidos da América, que «procuraram apurar a disponibilidade, junto de vários parceiros, de estruturas portuárias para a operação de transbordo do material químico transportado a partir da Síria num navio dinamarquês para um navio norte-americano».

Segundo um especialista do Exército português, o maior perigo estará «no derrame dos agentes químicos».