O secretário-geral do PS afirmou que o desafio lançado pelo primeiro-ministro para um acordo com o PS quanto aos limites da despesa pública demonstra que Pedro Passos Coelho está «perdido e desnorteado».

António José Seguro falava aos jornalistas no Funchal à margem do XVI congresso Regional do PS/Madeira, que confirma a liderança de Vítor Freitas na estrutura regional do partido e no qual o líder nacional marcará presença no domingo, no encerramento.

«É difícil perceber o primeiro-ministro, porque no mês passado disse que não precisava do PS e ontem veio dizer precisamente o contrário. Isso significa que o primeiro-ministro está perdido, desnorteado«, começou por afirmar Seguro, acrescentando depois que, «se for necessário», o primeiro-ministro voltará a criticar o PS amanhã para dizer a seguir que precisa muito do partido.

Questionado sobre se aceitava o desafio de Pedro Passos Coelho, o responsável declarou: «É óbvio que não».

Na opinião de António José Seguro, o país «precisa é de um governo com um primeiro-ministro que saiba o que quer para o país». As propostas socialistas nesta matéria, realçou, «são conhecidas e o primeiro-ministro em julho teve uma oportunidade de as aceitar e recusou-as».

«O que ele quer é o PS para ser cúmplice dos cortes nas pensões, dos cortes nos funcionários públicos, e isso não terá nunca - a cumplicidade e cooperação do PS», insistiu.

O socialista afirmou que a declaração de Pedro Passos Coelho é «a prova de que não há reformas», mas cortes, porque «se houvesse reformas ele não estaria preocupado com a trajetória da despesa pública no país».

Segundo o líder do PS, «o equilíbrio das contas públicas nunca foi um problema, há é dois caminhos diferentes: o do Governo, que tem uma estratégia de empobrecimento e que não consegue equilibrar essas contas públicas, e o do PS, que visa criar riqueza e emprego».

António José Seguro mencionou que o «PS é um partido responsável» e recordou que quando o Governo apresentou no parlamento as alterações ao Imposto sobre o Rendimento Coletivo «foi possível chegar a um entendimento».

O responsável concluiu que esta «não é bem uma proposta» de Pedro Passos Coelho, mas um reconhecimento, por parte do primeiro-ministro, do «seu falhanço».

«Se tivesse feito reformas estruturais sustentáveis para que trajetória da despesa pública fosse sustentável, naturalmente não precisava agora de fazer nenhum apelo», comentou.