O presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, vai fazer a intervenção que faria na Assembleia da República no largo do Carmo, em Lisboa, numa evocação a Salgueiro Maia em que desafia «toda a população» a participar.

«Não pondo em causa a consideração que a A25A nutre pela instituição Assembleia da República, a "casa da Democracia", a direção da Associação 25 de Abril informa que decidiu levar a efeito uma evocação a Salgueiro Maia, nela personificando a homenagem a todos os militares de Abril, no Largo do Carmo, no dia 25 de Abril às 11.00, evento para o qual desafia toda a população», divulgou a associação, em comunicado.

A Associação 25 de Abril informou que nessa ocasião, o seu, presidente, Vasco Lourenço, fará «uma intervenção de fundo na linha da que seria feita na sessão solene na Assembleia da República».

Após esse tributo, será feita uma «romagem ao edifício onde funcionava a PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, para evocação da memória dos cidadãos ali assassinados no fim da tarde de 25 de Abril».

A decisão da Associação 25 de Abril de organizar uma cerimónia própria surge após uma reunião entre a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, com os grupos parlamentares, na quarta-feira, ao fim da tarde, em que não houve consenso para que um representante dos militares de Abril interviesse na sessão solene.

No comunicado, a Associação 25 de Abril recorda que em 2012 e 2013 «decidiu não aceitar o convite para assistir à sessão solene", devido aos "crescentes desvios às esperanças e aos valores de Abril».

«Este ano, porque essas razões se acentuaram, a Associação 25 de Abril voltou a declinar o convite para marcar presença na sessão solene da Assembleia da República comemorativa dos 40 anos da revolução dos cravos», afirmaram.

«Face à insistência no convite, às declarações públicas e à visita da Presidente da Assembleia da República à sede da A25A, por considerar a presença dos militares de Abril "imprescindível e insubstituível", a Associação 25 de Abril voltou a admitir alterar a sua posição caso fosse convidada para usar da palavra na referida sessão solene», declararam.

A associação reiterou a sua decisão de não aceitar o convite para estar presente, porque «a vontade do Parlamento não correspondeu à iniciativa da dra. Assunção Esteves, mantendo-se a recusa em dar voz aos militares de Abril».