A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, enalteceu o papel do «ativismo cívico» no exercício da política, afirmando que está longe o modelo do escrutínio centrado em eleições periódicas.

«Este ativismo cívico que interage com as instituições é hoje essencial ao exercício da política. Estamos longe do velho modelo de escrutínio simplesmente centrado em eleições periódicas», salientou, no seu discurso na sessão solene comemorativa dos 40 anos do 25 de Abril.

Segundo Assunção Esteves, Abril celebra «o exercício da política, dentro e fora das instituições», os «fazedores da história, poderes legítimos e cidadãos anónimos e não anónimos».

«Celebra os grupos de cidadãos que se erguem contra a apatia e a desistência, contra a descrença e a desconfiança» e que «batem à porta das instituições», afirmou.

«O parlamento recebe-os todos os dias», disse, considerando que estes grupos de cidadãos trazem à democracia «uma nova vertente necessária», deliberativa e informal e também afetiva.

«A representação não pode mais prescindir desses impulsos para que a democracia se cumpra», defendeu, notando que o «novo espaço público» é também o «espaço de ressonância» de sentimentos de descrença e de desistência, acentuado nas últimas décadas.

Para Assunção Esteves, o ato de existência do parlamento, «o seu dia-a-dia de debate e deliberação, é ele mesmo uma quotidiana e continuada homenagem ao 25 de Abril».

«É no parlamento que a justiça se garante e a mudança acontece», sustentou a presidente da Assembleia da República, considerando que Abril celebra «o consentimento do povo» como «condição para o governo legítimo dos homens».

Como desafios, Assunção Esteves apontou o dever de «promover as condições para que cada um pense por si mesmo» através da «educação para a cidadania».

A abertura de novos canais legais de imigração, o investimento social visto como investimento no futuro e não como um custo, e uma nova relação entre tempos de trabalho e tempos de lazer foram também defendidos pela presidente do parlamento.

«A nossa gratidão não tem limites», disse no final do seu discurso Assunção Esteves, que, dizendo citar um capitão de Abril na abertura da exposição patente na Assembleia da República «O nascimento de uma democracia», frisou que «foi o povo decisivo quando, todo inteiro na rua, se juntou aos militares e com eles fez a revolução vencer».