O vice-presidente da bancada socialista Marcos Perestrello manifesta «para já» reservas face à constituição de uma comissão de inquérito parlamentar sobre os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), considerando que a prioridade é apurar responsabilidades políticas.

No domingo, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, anunciou que a bancada comunista vai avançar com uma proposta de comissão parlamentar de inquérito para apurar responsabilidades políticas e administrativas pela situação dos ENVC.

Perante esta posição do PCP, Marcos Perestrello, que coordena as áreas da defesa e da segurança na direção da bancada socialista, contrapôs que na atual situação dos ENVC«antes de mais nada o essencial é o apuramento de responsabilidades políticas».

«Houve um grande desleixo político por parte deste Governo em relação à forma como tratou do futuro dos estaleiros, que tem agora um desfecho muito negativo. Os estaleiros estão a morrer às mãos da incompetência deste Governo, que nunca foi capaz de arranjar 15 milhões de euros para possibilitar a construção de dois navios asfalteiros, mas que encontrou 30 milhões de euros para despedir cerca de 600 trabalhadores», acusou o presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS em declarações à agência Lusa.

Em relação à proposta de constituição de uma comissão de inquérito feita pelo secretário-geral do PCP, Marcos Perestrello disse ter «para já» algumas reservas em relação a essa iniciativa.

«É importante que se evitem neste caso nuvens de fumo. Estar a misturar as coisas é fazer-se um favor ao Governo. É essencial distinguirem-se as opções dos anteriores governos, que sempre tiveram como objetivo viabilizar a estrutura, incluindo através da tentativa de arranjar encomendas, e a deste Governo, que foi a de fechar os estaleiros», advertiu o ex-secretário de Estado da Defesa do segundo executivo liderado por José Sócrates.

O presidente da Câmara de Viana do castelo, que é socialista, veio a Lisboa na semana passada e,em reunião com o grupo parlamentar do PS, solicitou a constituição de uma comissão de inquérito.

O BE, esta segunda-feira, revelou concordar com a iniciativa do PCP.

O grupo Martifer anunciou que vai assumir em janeiro a subconcessão dos terrenos, infraestruturas e equipamentos dos ENVC, pagando a o Estado uma renda anual de 415 mil euros, até 2031, conforme concurso público internacional que venceu.

A nova empresa West Sea deverá recrutar 400 dos atuais E609 trabalhadores, que estão a ser convidados a aderir a um plano de rescisões amigáveis que vai custar 30,1 milhões de euros, suportado com recursos públicos.

Esta foi a solução definida pelo Governo português para evitar a devolução de 181 milhões de euros de ajudas públicas não declaradas à Comissão Europeia, no âmbito de uma investigação lançada por Bruxelas.

Ao longo de 69 anos de atividade, os ENVC já construíram mais de 220 navios, mas apresentam hoje um passivo superior a 300 milhões de euros, recorda a Lusa.