Não foi a um, mas a dois jogos da seleção portuguesa. Justificados como "trabalho político" no Parlmanento, o que, segundo Luís Montenegro, é algo comum no Parlamento para explicar as faltas dadas.

Não quis enganar ninguém", afiançou Montenegro à comunicação social, falando da justificação usada para justificar as duas faltas que deu.

É uma das justificações plausíveis para a ausências dos deputados e aquela que é utilizada quando os deputados participam em eventos da mais variada índole, locais, regionais, nacionais ou internacionais", acrescentou o líder parlamentar do PSD.

Situação de aproveitamento

Quanto às viagens, Luís Montenegro reiterou que viajou a "expensas próprias" e que esteve em França a assistir aos jogos, uma vez na tribuna ao lado do primeiro-ministro e outra ao lado do Presidente da República e do presidente da Assembleia da República.

O pior foi no regresso, o aproveitamento levado a cabo até por "companheiros" do partido para criar "dificuldades".

Assisti, conformado, a um aproveitamento que foi feito dessa situação, que visou muito diluir o efeito comunicacional da situação que era vivida por membros do Governo. E que também foi aproveitada até por alguns companheiros meus de partido para criar algumas dificuldades porque, infelizmente, também tenho a noção que há pessoas no meu partido que se preocupam mais com o meu futuro do que eu próprio", afirmou o líder da bancada do PSD.

Estou muito tranquilo e muito consciente, não me sinto minimamente diminuído se a mesa da Assembleia da República considerar essa justificação indevida. Eu discordo se o fizer, mas, se o vier a fazer, acatarei essa decisão", acrescentou Montenegro, lembrando que tem 14 anos de vida parlamentar com provas "mais do que suficientes de assiduidade e dedicação ao trabalho parlamentar".

Justificação menos correta

Quanto ao facto do vice-presidente da bancada do PSD, Hugo Soares, ter justificado a falta que deu quando também foi assistir a um jogo do Europeu alegando "motivo de força maior", Luís Montenegro admitiu que essa justificação "não foi a mais correta".

O líder parlamentar adiantou ainda que tem a competência de visar todas as faltas justificadas com esse motivo, mas que não tem por hábito questionar qual o motivo de força maior que esteve por base da justificação e que, na altura, não se apercebeu que a falta de Hugo Soares se relacionava com o jogo da seleção.

Nós percebemos muito bem que, numa altura em que uma questão completamente diferente atingia três membros do Governo, se tivesse criado aqui uma especulação muito grande a propósito dos deputados do PSD", disse ainda Luís Montenegro.

Esquerda recusa debate imediato

Pelos votos do PS e dos partidos de esquerda que suportam o Governo no Parlamento ficou marcado para setembro, o debate sobre os convites da Galp feitos a três secretários de Estado, para ir ver jogos da seleção.

O caso não está encerrado, não está concluído", sublinhou o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, em declarações aos jornalistas no final da conferência de líderes onde foi rejeitado o pedido dos democratas-cristãos para a realização de uma reunião extraordinária da comissão permanente do parlamento para debater o caso das viagens.

Pelo PSD, o líder parlamentar, Luís Montenegro também lamentou "profundamente" o chumbo da esquerda parlamentar ao pedido do CDS-PP, frisando que "será inevitável que o assunto seja debatido no parlamento".

Assunto não foi antecipado

À esquerda, Mariana Mortágua, do BE, concordou que o assunto "não está encerrado", mas recusou que a discussão tenha sido adiada.

Esse assunto não foi é antecipado, acho que se compreende numa situação dramática, de urgência dos incêndios não é equiparável, nem ninguém compreenderia que estivéssemos a dividir atenções", disse a deputada do BE, vincando que "a questão das viagens é criticável e deve ser escrutinada".

O Governo deve de ser escrutinado, mas não devemos pôr em pé de igualdade a urgência e catástrofe nacional dos incêndios e um caso que pode deve ser escrutinado, mas que o pode ser feito nos prazos normais da Assembleia da República", acrescentou.

Na passada terça-feira, o primeiro-ministro considerou que o caso das viagens de membros do Governo pagas pela Galp para assistir a jogos do Europeu de futebol está "devidamente encerrado", quando questionado sobre o caso que envolveu os secretários de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, da Indústria, João Vasconcelos, e da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira.