O presidente português, Cavaco Silva, inicia na segunda-feira uma visita de uma semana à China destinada a reforçar as relações bilaterais e promover Portugal como «um parceiro construtivo» da nova potência emergente na Ásia Oriental.

«A China pode estar segura que Portugal agirá dentro da União Europeia de forma amiga face à China», disse Cavaco Silva numa entrevista à agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

«Somos um parceiro construtivo e um amigo da China e sabemos quão benéfico é para a União Europeia aprofundar as relações comerciais e de investimento com a China», acrescentou.

A visita - a primeira de um chefe de Estado português desde 2005 - começa em Xangai, seguindo-se Pequim e Macau, num périplo que o embaixador de Portugal na capital chinesa, Jorge Torres-Pereira, descreveu como «a forma mais simbólica possível» para marcar o 35.ºaniversario das relações diplomáticas entre os dois países.

Além do homólogo chinês, Xi Jinping, que é também secretário-geral do Partido Comunista, o cargo mais importante do país, o presidente português vai encontrar-se com o primeiro-ministro, Li Keqiang, e o presidente da Assembleia Nacional Popular, Zhang Dejiang.

Até há quinze anos as relações bilaterais foram dominadas pela «Questão de Macau», a primeira e ultima parcela do território chinês governada por um país estrangeiro e cuja transição para a administração chinesa, em dezembro de 1999, é considerada uma «história de sucesso».

Três ministros (Negócios Estrangeiros, Economia e Educação e Ciência) e responsáveis de nove universidades e de duas fundações integram a comitiva do presidente.

Uma centena de empresários - da banca, industria farmacêutica, tecnologias de informação e agroalimentar - acompanham também Cavaco Silva.

«Estamos numa nova fase do nosso relacionamento, particularmente no domínio económico», realçou o embaixador Torres-Pereira.

Na última década, Portugal e China assinaram um acordo de «parceria estratégica global» e duas grandes empresas estatais chinesas - China Three Gorges e China State Grid - investiram mais de 3 mil milhões de euros em empresas portuguesas.

As exportações portuguesas para a China tiveram um crescimento de dois dígitos nos últimos anos, mas em 2013 caíram 10%, devido sobretudo à diminuição das vendas de veículos, nomeadamente da Auto-Europa, que registaram uma redução de 75%.

Pelas contas chinesas, no primeiro trimestre de 2014, as exportações portuguesas para a China voltaram a crescer (4,75%), para 337,8 milhões de dólares (243,68 milhões de euros).

«Cada vez há mais empresas portugueses a fazer negócios e transações com a China e mais companhias chinesas interessadas em fazer negócios com empresários portugueses e em investir em Portugal»

A visita coincide igualmente com o 'boom' do ensino do português, um fenómeno associado ao rápido desenvolvimento dos laços económicos entre a China e os países de Língua Portuguesa, sobretudo Angola e Brasil.

No início do século XXI, apenas duas universidades da China continental tinham licenciaturas em português; hoje há 18.

A China é a segunda economia mundial, a seguir aos Estados Unidos da América, e se continuar a crescer acima dos 7% (7,4% no primeiro trimestre deste ano), dentro de pouco tempo será a primeira.