Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português manifestaram esta segunda-feira a sua expetativa de que o Partido Socialista possa apoiar as últimas propostas legislativas de abolição das portagens da Via do Infante, no Algarve.

“Há a expetativa que, na nova correlação de forças [na Assembleia da República], a nossa proposta possa ser também apoiada pelo PS”, disse à Lusa Paulo Sá, deputado do PCP eleito pelo Distrito de Faro.

Na passada quinta-feira, o grupo parlamentar do PCP apresentou na Assembleia da República um projeto de resolução propondo a “imediata abolição da cobrança de portagens em toda a extensão da Via do Infante”, enquanto o BE apresentou, no dia seguinte, um projeto de lei idêntico.

“Espero que desta vez o PS, pelo menos, vote a favor da abolição das portagens no Algarve”, disse à Lusa João Vasconcelos, deputado do BE também eleito por Faro.

BE e PCP apresentaram várias propostas de projetos de resolução e de lei, durante a legislatura anterior, para abolir as portagens na Via do Infante, mas todas elas foram rejeitadas pela maioria PSD/CDS-PP e também pelo PS.

“Nós esperamos que a posição do PS evolua”, afirmou Paulo Sá.

A comissão de utentes da Via do Infante marcou para terça-feira uma ação de protesto pela abolição das portagens na A22 a ter lugar junto à ponte internacional do Guadiana.

Nesse dia completam-se quatro anos da introdução de portagens na Via do Infante, que atravessa o distrito de Faro e que passou, desde então, a ser designada por A22.

A comissão de utentes defende que se tem agravado a crise social e económica no Algarve, uma região que vive quase exclusivamente do turismo, “com falências, encerramentos de empresas e altos índices de desemprego.

Segundo a comissão de utentes, o Algarve "perdeu competitividade em relação à vizinha Andaluzia, elevando-se as perdas do mercado espanhol em mais de 25%, com perdas anuais de 30 milhões de euros; a mobilidade na região regrediu cerca de 20 anos, voltando a EN 125, uma “rua urbana”, a transformar-se numa via muito perigosa, com extensas e morosas vila de veículos e onde os acidentes de viação se sucedem, com muitas vítimas mortais e feridos graves”.

António Costa, atual primeiro-ministro e na altura secretário-geral do PS, prometeu em setembro, caso o partido ganhasse as eleições, fazer uma reavaliação das obrigações do Estado a nível de portagens no interior, zonas fronteiriças e de afluxo turístico, com vista a estudar "melhores condições de acessibilidade".