A Associação Rumos Novos – Homossexuais Católicos acusou, esta segunda-feira, o Presidente da República, Cavaco Silva, de ter uma linha de pensamento inócua relativamente à adoção por casais do mesmo sexo e de apresentar pressupostos não só incorretos, mas contraditórios.

Em comunicado citado pela Lusa, a associação aponta que a posição de Cavaco Silva era já esperada, tendo em conta a “linha de pensamento do ainda Presidente da República”, que entendem ser “inócua”, ao mesmo tempo que dizem estranhar a argumentação apresentada, apontando que os “pressupostos não só não são corretos, como são contraditórios entre si”.

O Presidente da República anunciou esta segunda-feira, na sua página oficial, que não promulgava o diploma que permitia a adoção por casais do mesmo sexo, tendo igualmente devolvido à Assembleia da República as alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez (IVG).

Para a Associação Rumos Novos, os pressupostos contraditórios estão no facto de Cavaco Silva ter reconhecido que “a lei em vigor determina que seja observado um rigoroso processo de controlo relativamente aos pedidos de adoção”, de modo a garantir solidez e estabilidade nos novos laços parentais, em situações de grande fragilidade para as crianças.

Apesar disso, Cavaco Silva aponta para um “eventual não atendimento aos superiores interesses da criança”, justificando com isso a devolução do diploma ao parlamento.

“Como pessoas católicas homossexuais acreditamos e sempre afirmámos desde a primeira hora, que o interesse da criança deve ser sempre salvaguardado e impõe-se (ética e moralmente) ao interesse dos adotantes”, aponta a associação.

Nesse sentido, lembram que “será sempre obrigação do Estado, não somente observar um rigoroso processo de controlo, mas igualmente a criação de condições que impeçam que, de futuro, estas crianças sejam vítimas de preconceito ao nível escolar, social e religioso”.

Defendem, por isso, que sejam criados mecanismos para que se aprenda a familiarização com os diversos tipos de famílias, não só nas escolas, mas na sociedade em geral e na Igreja Católica em particular.