O Partido Ecologista Os Verdes (PEV), autor da quinta moção de censura, rejeitada há uma semana, ao Governo da maioria PSD/CDS-PP, vai votar contra a moção de confiança do executivo, terça-feira, classificando-a como «tentativa de limpar imagem, machucada».

«Não conseguiu demonstrar mais do que a existência de uma maioria parlamentar isolada e a sua ideia de continuar as mesmas políticas. Numa tentativa de limpar a sua imagem, tão machucada, o Governo vem agora propor uma moção de confiança à Assembleia da República. O PEV votará contra essa moção de confiança», lê-se em comunicado.

O grupo parlamentar ecologista tinha censurado o Governo, mas viu o seu texto «chumbado» por PSD e CDS-PP, apesar dos votos favoráveis de PS, PCP e BE, naquela que foi a quinta moção de censura ao executivo liderado por Passos Coelho, quarta da presente sessão legislativa.

«Este Governo não tem mais credibilidade possível, mesmo maquilhado» e o PEV «tem a plena convicção que, se ela fosse votada pelos portugueses, seria chumbada», adiantam os parlamentares de Os Verdes, reiterando que «a única forma de garantir um novo ciclo político em Portugal é através da palavra dos portugueses, por via de eleições antecipadas».

Sobre as recentes demissões dos ministros de Estado com as pastas das Finanças e dos Negócios Estrangeiros e posterior remodelação, com a passagem de Paulo Portas a vice do Chefe do Governo, o PEV condena «a ideia de que, a partir de agora, há coesão da coligação governamental, como se o ponto de partida fosse hoje e não o ano de 2011 após o ato eleitoral».

No texto da moção de confiança, o Governo pede à Assembleia da República um voto para terminar o programa de assistência económica e financeira e «projetar um novo ciclo, sustentado, de desenvolvimento e crescimento».

«Cumpridos cerca de dois terços do caminho traçado pelo programa, é com confiança e um renovado espírito de compromisso que o Governo solicita à Assembleia da República um voto de confiança para levar por diante, com determinação, o encerramento do programa de assistência e projetar um novo ciclo, sustentado, de desenvolvimento e crescimento», lê-se no documento enviado à Lusa.

Também o PCP reagiu à entrega da moçãod e confiança.

«O PCP considera que esta moção de confiança é ofensiva para os portugueses, o Governo e a maioria negam tudo o que passou, negam a sua responsabilidade na assinatura do pacto e no desastre a que conduziram o país, negam as dificuldades que os portugueses estão a sentir, negam aquilo que afinal de contas é o resultado concreto da política que executaram» criticou o deputado comunista João Oliveira, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

O deputado do PCP condenou que o texto da moção «fale de sucessos, num país que está em escombros, desconsiderando completamente a situação de crise e sobretudo a dramática situação de vida dos portugueses», cita a Lusa.