O presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, disse que os capitães de Abril não queriam ser a «cereja no topo do bolo» nas comemorações no parlamento, estando presentes sem usar da palavra.

«Perante a insistência da senhora Presidente [da Assembleia da República], admitimos a hipótese de estar [na sessão solene] se pudéssemos dizer aquilo que pensamos da situação. Não foi considerado, tudo bem. O problema já não é nosso», disse Vasco Lourenço, esta terça-feira, aos jornalistas no final de uma homenagem no parlamento ao capitão de Abril e deputado Marques Júnior.

Na sessão solene, «onde se discute a política geral», diz Vasco Lourenço, os militares consideraram que «não se pode fazer um parêntesis para se baterem palmas aos capitães de Abril» e estes serem «a cereja no topo do bolo».

«A situação no país, a política seguida, não tem nada que ver com o 25 de Abril», advoga Vasco Lourenço.

O presidente da Associação 25 de Abril afirmou recentemente que só aceitaria estar presente na sessão solene comemorativa da revolução caso um representante dos capitães de Abril pudesse discursar.

Confrontada pelos jornalistas com esta posição, a presidente do parlamento, Assunção Esteves, respondeu que convidou a Associação para estar presente na sessão solene e que se os militares impõem a condição de falar «o problema é deles».

Dias depois, Assunção Esteves anunciou uma visita às instalações da Associação 25 de Abril, para um «encontro de afeto» com o coronel Vasco Lourenço.

No final da visita, na quarta-feira passada, Assunção Esteves afirmou que «o carinho e a gratidão sem limites» que o parlamento deve aos capitães de Abril nunca esteve em causa.

Depois do encontro, a presidente da Assembleia da República reuniu-se com os líderes parlamentares sobre este tema mas a reunião terminou sem consenso para que um representante dos capitães de Abril pudesse falar.

Perante esta posição, o presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, irá fazer a intervenção que faria na Assembleia da República no largo do Carmo, em Lisboa, numa evocação a Salgueiro Maia em que desafia «toda a população» a participar.

Após esse tributo, será feita uma «romagem ao edifício onde funcionava a PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, para evocação da memória dos cidadãos ali assassinados no fim da tarde de 25 de Abril».