O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, reagiu à morte do escritor Vasco Graça Moura, afirmando que «a Cultura Portuguesa fica a dever muito a este homem», como se pode ler no comunicado enviado à agência Lusa.

«Ao longo de mais de 40 anos, [Vasco Graça Moura] foi um construtor de palavras, de obras, de feitos, de organizações», afirma Jorge Barreto Xavier, sobre o poeta falecido este domingo, em Lisboa, aos 72 anos, vítima de doença prolongada.

«Vasco Graça Moura vai fazer falta», prossegue o titular da Cultura. «Seja como poeta, escritor, tradutor, cronista, gestor cultural ou político, Vasco Graça Moura sempre colocou em tudo aquilo que fez uma paixão e dedicação genuínas e contagiantes. Convocou sempre à sua volta lealdade e dedicação, demonstrando o seu valor não só como criador mas como homem».

«Em cada uma [das suas] missões, Vasco Graça Moura deixou um legado de serviço público, competente, original, criando valor e valores», lembra o governante, na «expressão pública de pesar», na qual lembra o papel do jurista, escritor e poeta, na Expo 98, na RTP, na Fundação Calouste Gulbenkian, na Fundação Luso-Americana, na Imprensa Nacional Casa da Moeda, no Centro Cultural de Belém, entre outras instituições.

«Erudito, cultor e artesão da Língua Portuguesa, é através dela que Vasco Graça Moura nos oferece algumas das suas obras mais perenes. É também pela Língua que travou combates de frontalidade e determinação, coerente com as suas ideias e o seu sentido de sociedade», prossegue o comunicado de Barreto Xavier.

«O rigor, a maestria, o valor da sua escrita valeram-lhe reconhecimento nacional e internacional, como poeta, tradutor e crítico literário. Por essa via, tornou mais rica a Literatura Portuguesa e acessíveis, aos falantes do Português, na forma da excelência da tradução, obras universais».

O secretário de Estado da Cultura lembra ainda a vida política de Vasco Graça Moura, na fundação do PPD/PSD, como deputado na Assembleia da República e no Parlamento Europeu.

«A partida de Vasco Graça Moura é uma dura perda para a Cultura e Política portuguesas», lê-se no comunicado. «A sua permanente determinação, a elegância da sua postura, a inteligência da sua presença» ficarão «como referência», conclui Barreto Xavier.

Poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo, cronista e tradutor, Vasco Graça Moura somou mais de 50 anos de vida literária, com títulos como «Modo mudando», com que se estreou, em 1962, «A furiosa paixão pelo tangível» (1987), «Testamento de VGM» (2001) ou «Os nossos tristes assuntos» (2006).