O presidente do Governo Regional dos Açores afirmou esta terça-feira que a redução da presença americana na base das Lajes não tem apenas impacto social e económico, mas também um impacto na dignidade do relacionamento entre Portugal e os Estados Unidos.

«O que está em causa não é apenas o impacto social e económico. Está em causa a dignidade do relacionamento entre os dois Estados», afirmou Vasco Cordeiro no Parlamento durante uma audição na Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.

«A administração norte-americana não esteve à altura do relacionamento entre dois Estados», frisou o chefe do governo açoriano, criticando a forma como foi tomada e comunicada, a Portugal, esta decisão, que qualificou como «má e hostil».

Vasco Cordeiro pediu uma reação «firme» e de «clareza» do Governo.

«Peço clareza, e sobretudo, que tomem decisões consequentes.»


Para o chefe do governo regional, o Governo da República tem de ter uma reação «firme» e «veemente» perante a decisão norte-americana, salientando a necessidade das conversações sobre esta matéria serem centradas «no essencial».

«O consenso não vale por si e, o pior de tudo, é ter um consenso podre», referiu o presidente do executivo açoriano, indicando, sem pormenorizar, que existiram algumas falhas por parte do executivo português na condução do processo.

Vasco Cordeiro defendeu que, enquanto não ficar decidida, a questão das Lajes deve condicionar a forma como Portugal se relaciona com os Estados Unidos.

«É importante fazer sentir isso ao Governo dos Estados Unidos», disse o representante, afastando, no entanto, um cenário de cessação das relações diplomáticas.

«Continuamos amigos, mas seguramente não iremos visitar a casa uns dos outros.»



A 8 de janeiro, o então secretário da Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, anunciou a redução de 500 efetivos da base aérea portuguesa nas Lajes.

No mesmo dia, o embaixador norte-americano em Lisboa, Robert Sherman, explicou que o objetivo é reduzir gradualmente os trabalhadores portugueses de 900 para 400 pessoas ao longo deste ano, enquanto os civis e militares norte-americanos passarão de 650 para 165.

Vasco Cordeiro afirmou que não coloca em causa a legitimidade dos Estados Unidos «de fazerem o que bem entendem com as suas Forças Armadas», mas salientou que, «quando isso mexe com um país aliado», este tipo de decisão não pode ser tomada desta forma.