O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, afirmou, nesta sexta-feira, que o resultado do referendo no Reino Unido “é um sinal de alarme”, mas “não no sentido de alarmismo”, defendendo que a União Europeia precisa de "acordar".

Claramente este é um sinal de alarme. De alarme não no sentido de alarmismo, mas deve ser um sinal no sentido de diversos intervenientes e de diversos protagonistas refletirem sobre aquilo que significa este sentido de voto”, disse Vasco Cordeiro, que é também presidente da Conferência das Regiões Periféricas e Marítimas da Europa (CRPM), em declarações aos jornalistas.

Comentando o resultado do referendo de quinta-feira, que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia, Vasco Cordeiro considerou que a resposta agora da União Europeia é refletir e tomar "as medidas necessárias para resolver os seus principais assuntos" que neste momento estão em causa, sobretudo "um dos grandes dramas humanitários" da atualidade que disse ser a questão dos refugiados.

A União Europeia deve refletir e tomar as medidas necessárias para resolver aqueles que me parecem ser os principais assuntos que neste momento estão em causa: a questão do distanciamento, a questão da ausência, muitas das vezes da noção daquilo que realmente interessa aos povos europeus, e, por outro lado, resolver na fonte um dos grandes dramas humanitários do nosso tempo, que é a questão dos refugiados", sustentou o chefe do executivo açoriano e líder do PS/Açores.

Questionado sobre o impacto do resultado do referendo no arquipélago açoriano, o presidente do Governo Regional dos Açores disse que "é natural que todas as perturbações" que aconteçam "ao nível da própria economia do Reino Unido, e também naturalmente em certa medida europeia", poderão afetar a região.

"Mas aquilo que julgo que também releva neste domínio é exatamente esta componente da União Europeia acordar", declarou ainda.

Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido vai sair da União Europeia, depois de o Brexit ter conquistado 51,9% dos votos no referendo de quinta-feira.

Por seu turno, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou já a intenção de se demitir em outubro, na sequência do resultado do referendo.