Portugal conheceu o maior incremento de mulheres nos parlamentos entre os países lusófonos, tendo um resultado superior à média europeia, indicou esta quinta-feira à Lusa a diretora dos programas da União Interparlamentar (UIP), Karen Jabre.

“Portugal, em comparação com os países europeus, obteve um bom resultado. A média europeia é de 25,4 por cento”, disse Karen Jabre, na sequência da divulgação do relatório anual da organização com sede em Genebra.

O número de mulheres eleitas na Assembleia da República passou de 31,3% em 2014 para 34,8% em 2015, mas Portugal continua na 30ª posição na lista global.

A perita sublinhou ainda que “mais oito mulheres acederam ao Parlamento após a formação do Governo” em Portugal.

De acordo com a Lusa, o Brasil conheceu um ligeiro aumento no número de mulheres no Parlamento em 2015 em relação ao ano anterior, encontrando-se atualmente 9,9% de mulheres na Câmara dos Deputados e 16% de mulheres no Senado Federal, enquanto no ano anterior se contabilizava 09% de mulheres na Câmara dos Deputados e 13,6% de mulheres no Senado Federal.

Apesar de melhorar a pontuação, o Brasil ainda ocupa a última posição entre os países lusófonos e está no 154º lugar da classificação da organização.

“Com 9,9% de mulheres na câmara baixa, a percentagem é relativamente baixa em relação aos 27,7% da região das Américas”, disse a especialista da UIP.

Os restantes países lusófonos não conheceram alterações particulares em relação às estatísticas divulgadas no ano passado. “Não houve eleições naqueles países lusófonos. Isso explica a ausência de mudança”, disse Karen Jabre.

Moçambique continua a ser o país lusófono com o maior número de mulheres no Parlamento. O país ocupa o 15º lugar, com 39,6% de mulheres no Parlamento, mas perdeu dois lugares em relação ao ano anterior apesar de manter as mesmas estimativas.

A Moçambique seguem-se, por ordem decrescente, Timor-Leste, Angola, Portugal, Guiné Equatorial, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Brasil.

Em 20ª posição, Timor-Leste perdeu dois lugares em relação ano anterior, com 38,5% de mulheres representadas no parlamento nacional. Como no ano anterior, o país obtém o melhor resultado da região Ásia e Pacífico.

Angola ocupa a 23ª posição na classificação da IPU, com 36,8% de mulheres representadas no Parlamento. O país sobe cinco lugares, sem conhecer nenhum incremento no número de deputadas.

Guiné Equatorial está no 68º lugar da classificação mundial, com 24% de mulheres representadas no parlamento, enquanto Cabo Verde ocupa o 80° lugar, com uma Assembleia Nacional constituída por 20,8% de mulheres.

Já São Tomé e Príncipe está na 110ª posição, com 18,2% de mulheres representadas, seguido da Guiné-Bissau, no 129º lugar, com 13,7% de mulheres.

Comparativamente a 2014 (22,1%), a nível mundial, a percentagem de mulheres representadas em parlamentos subiu sensivelmente em 2015 para 22,6%.

Desde a adoção em 1995 do programa de Pequim para a Emancipação das mulheres, a média mundial passou de 11,3% em 1995 para 22,1% em 2015 e atinge atualmente 22,6% .

Ruanda, Bolívia e Cuba estão à cabeça da lista na representação de mulheres no parlamento.

A perita acrescenta que “quotas sólidas, com sanções, partidos políticos engajados, vontade política e mulheres capacitadas” são iniciativas chaves para aumentar o número de mulheres nos parlamentos.

O relatório referencia a nível mundial o número de mulheres nos parlamentos até dia 01 de janeiro 2016.

A classificação da UIP abarca 191 países.

A UIP agrupa 166 membros e 10 membros associados e foi criada em 1889, com sede em Genebra, na Suíça.