O secretário-geral do PS afirmou esta sexta-feira que se apresentará às próximas eleições para defender a continuidade das políticas sociais, num discurso dirigido ao eleitorado de esquerda, em que prometeu lutar na UE pelo fim das «off-shores», escreve a Lusa.

Na sua primeira intervenção no congresso de Espinho, José Sócrates fez vários ataques indirectos à presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, sobretudo, quando falou em «insensibilidade» por atacar a decisão do Governo de aumentar o salário mínimo nacional.

Em relação aos partidos do centro e da direita portuguesa, Sócrates também referiu no discurso que os seus líderes (Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas) foram os mesmos que estiveram nos governos entre 2002 e 2005, mas a preocupação essencial do líder socialista foi a esquerda.

«Há sempre muitos disponíveis para dar lições de esquerda ao PS. Mas a verdade é que quando o Governo fez as reformas, que foram essenciais para a igualdade, fomos encontrar do outro lado da barricada, resistindo a qualquer mudança, aqueles que acham que ser de esquerda é deixar tudo como está», apontou.

Depois, ensaiou o que poderá ser uma das mensagem a usar pelos socialistas na próxima campanha para as legislativas. «Este movimento de reformas e de reforço das políticas sociais, de investimento nas qualificações dos portugueses não pode ser interrompido. É em nome deste projecto de continuidade que o PS se apresenta aos portugueses», disse.

Ainda numa lógica de apontar o que estará em causa nas próximas eleições, o actual primeiro-ministro defendeu que o seu executivo «tem uma estratégia» para fazer face à actual crise internacional. «Lamentavelmente, para a oposição, parece que não há crise internacional. A culpa é do Governo», apontou, antes de fazer duras críticas ao sistema de economia de mercado baseado «na ganância do lucro».

«Precisamos de uma Europa que faça sua a iniciativa de propor à escala global a eliminação dos paraísos fiscais, por forma a dar mais segurança e mais transparência aos mercados financeiros», disse, recebendo palmas dos delegados socialistas.