O Partido Ecologista Os Verdes considerou hoje que o comunicado do Governo sobre a alegada manipulação de documentos no caso dos swaps demonstra a falta de transparência do Governo e exigiu a sua demissão.

Em declarações à agência Lusa, a dirigente do partido Os Verdes, Manuela Cunha, considerou que o Governo não tem condições para continuar, reagindo a um comunicado do Ministério das Finanças - no qual o Governo defende que um documento divulgado pela SIC e pela Visão e que implica o secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge, nos contratos swap - foi manipulado.

«Todo este caso tem sido envolvido numa falta de transparência (...), por isso, Os Verdes acham que não só o secretário de Estado do Tesouro e a ministra das Finanças deviam sair do Governo, como o próprio Executivo não deveria estar em funções», disse, salientando que o partido defende eleições antecipadas.

Manuela Cunha considera que «estes novos desenvolvimentos» não abonam em favor do secretário de Estado do Tesouro, nem da ministra das Finanças, nem do Governo.

«É no mínimo estranho que uma pessoa deste tipo, treinado como ele estava para estas situações ter perdas de memória sobre se assistiu ou não a reuniões. Obviamente podemos sempre admitir que possa haver documentos forjados e isso já é um caso de polícia», sublinhou.

A dirigente considera que se se tratar de um caso de polícia então o Governo tem meios para avançar com uma queixa para os sítios apropriados para uma clarificação do assunto.

«Seja como for, este Governo não faz sentido nem a falta de transparência que envolve todos estes casos como o dos swaps e outros como o BPN. Este Governo não tem fiabilidade», concluiu.

O Ministério das Finanças adiantou terça-feira em comunicado que há dois documentos diferentes, relativamente às propostas de contratos swap do Citigroup ao Governo de José Sócrates em 2005, e que no documento original não consta o nome do secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge.

De acordo com o comunicado das Finanças, «o documento que chegou às mãos dos jornalistas não tem qualquer referência cronológica, nem números de páginas», ao contrário do documento original e verdadeiro que data de 1 de julho de 2005.

Para o Ministério, «estas discrepâncias serviram para introduzir, como segunda página do documento na posse da comunicação social, um organigrama inverosímil, que não consta da apresentação original, com o logótipo do banco com um grafismo diferente. É neste organigrama, e apenas nele, que aparece o nome do secretário de Estado do Tesouro».