O secretário-geral do PS, António José Seguro, reafirmou hoje que os socialistas estiveram nas negociações com o PSD e o CDS «de boa-fé», já que «estava em causa o país».

«Como poderíamos ter recusado, se era o nosso país que estava em causa?», perguntou, frisando que o PS «fez tudo, mas tudo, para chegar a um compromisso», acolhendo o pedido do Presidente da República nesse sentido.

No entanto, sublinhou, o PS, ao participar no diálogo com os dois partidos do Governo, «não era para aceitar um acordo qualquer».

O líder socialista intervinha na vila de Penacova, distrito de Coimbra, onde o PS do distrito comemorou hoje o Dia da Federação, com um almoço de militantes simpatizantes.

António José Seguro disse que o PS vai «lutar pelas suas ideias», apesar de não ter celebrado com os partidos do Governo o acordo de salvação nacional defendido pelo Presidente da República.

«Não é por não se ter chegado a um acordo que o PS agora deixa de lutar pelas suas ideias, pelas suas propostas», salientou. Após a rutura das negociações entre o PS, o PSD e o CDS, «mais do que um desacordo, os portugueses sabem que há dois projetos distintos, que há duas propostas alternativas», acrescentou.

«Sabemos que não temos os votos suficientes na Assembleia da República para o podermos fazer, mas temos a maioria do povo português de acordo com as nossas ideias e propostas», admitiu.

O PS advertiu, «desde o início, que o caminho que o Governo tinha escolhido era um caminho errado, que conduzia ao empobrecimento», afirmou António José Seguro, prometendo que os socialistas vão continuar a lutar pelas suas propostas.

«Nestes dois anos, não ficámos de braços cruzados a protestar, não ficámos à espera de quanto pior melhor, bem pelo contrário. Fomos uma oposição responsável e construtiva», referiu.

Na sessão em que foram apresentados os candidatos socialistas às autárquicas de 29 de setembro em Penacova, intervieram também, entre outros, o presidente da Câmara Municipal, Humberto Oliveira, que se recandidata ao cargo, o vereador e presidente da Concelhia do partido, Ricardo Ferreira, e o presidente da Federação de Coimbra, Pedro Coimbra, que se recandidata à presidência da Assembleia Municipal.

No final, António José Seguro não quis prestar quaisquer declarações aos jornalistas.