O ministro da Defesa Nacional, Aguiar-Branco, prometeu hoje tentar o consenso entre PSD, PS e CDS-PP relativamente à legislação a ser aprovada no âmbito da «Reforma 2020» das Forças Armadas, numa audição em comissão parlamentar a pedido dos socialistas.

«A execução da Reforma 2020 tem várias dimensões de diplomas. Os mais delicados e que precisem de maiorias qualificadas devem ser alvo de consenso, nomeadamente pelas três forças partidárias que têm vindo a convergir nestas matérias, a fim de se poder dar corpo à reforma, aprovada em conselho de ministros, até final de 2015», disse.

A «Reforma 2020» inclui a redução dos atuais 38 mil efetivos para 30 mil, dentro de sete anos, devendo haver já um corte de 4.000 elementos até 2015, entre outras medidas como a redução em 30 por cento do dispositivo territorial das Forças Armadas.

Aguiar-Branco assegurou ainda que, «num ano muito difícil, muito exigente, que obriga todos a definir muito bem as prioridades, as missões de serviço público não deixam de ser cumpridas».

«No primeiro semestre de 2013, a Força Aérea já perfez 587 horas de voo, face às 1.005 de todo o ano de 2012, o Exército tem cerca de 2.000 horas de missões e no ano passado levou a cabo 4.022, sendo que já foram realizadas 172 missões de salvamento», informou.

O responsável pela pasta da Defesa garantiu ainda que o efetivo português no Afeganistão continua a ter uma redução prevista dos atuais 200 elementos para 140, em outubro.

«Após 2014, deve ser objeto de reflexão mais profunda. Portugal só manifestou disponibilidade para poder participar até um milhão de euros nas forças de segurança afegãs, no quadro do rateio internacional», afirmou.

Questionado sobre os projetados 850 despedimentos nos três estabelecimentos fabris do exército (um cenário referido num estudo), além de receitas de 25 milhões de euros com a sua alienação parcial, Aguiar-Branco delegou a resposta na secretária de Estado, Berta Cabral.

«Um estudo é um estudo. Não há nenhuma decisão, embora toda a gente reconheça ser necessária a reestruturação deste setor. Numa primeira fase, os trabalhadores vão ser dotados de um vínculo público», adiantou, em resposta ao deputado comunista António Filipe.