O PS considerou hoje que as previsões do Banco de Portugal (BdP) indiciam que a recessão este ano será o dobro face à estimativa inicialmente feita pelo Governo e com estagnação económica em 2014.

A posição foi assumida pelo deputado socialista Pedro Marques, após o Boletim Económico de Verão do BdP ter melhorado as previsões do crescimento para 2013, antecipando uma contração de dois por cento e não de 2,3 por cento, embora piorando as de 2014, ano em que espera que a economia cresça apenas 0,3 por cento e não 1,1 por cento.

«Confirma-se a duplicação da recessão em 2013 face às previsões iniciais do Governo», declarou o ex-secretário de Estado socialista, adiantando que esta «evolução negativa» se deve sobretudo «à quebra do investimento».

«Quer para 2013, quer na previsão para 2014, volta a verificar-se uma quebra do investimento. Sem procura interna, com menor rendimento das famílias, as empresas não investem porque não têm quem compre os seus produtos. É o que dizem os empresários em todos os inquéritos de análise da conjuntura», sustentou o deputado do PS.

«Não se vê a luz ao fundo do túnel, porque o Governo escolheu duplicar a austeridade, fê-lo durante dois anos consecutivos e mais austeridade significou mais recessão e mais desemprego», apontou o ex-membro dos governos socialistas.

Interrogado sobre o facto de o BdP desagravar agora as previsões de recessão para este ano, sendo de dois por cento e não de 2,3 por cento, Pedro Marques insistiu que se verifica uma duplicação da recessão face à previsão inicial do Governo.

Já o PCP qualificou hoje de «alarmantes» os dados divulgados argumentando que mostram uma queda do investimento de 40% e um retrocesso do rendimento das famílias para os níveis de há 14 anos.

«São dados verdadeiramente alarmantes. O Banco de Portugal vem confirmar que o investimento em Portugal nos últimos quatro anos caiu quase 40% e o rendimento das famílias portuguesas está hoje ao nível do que estava há 14 anos atrás, isto é, ao nível que as famílias tinham em 1999», afirmou o deputado Honório Novo.

Falando à imprensa no Parlamento, o deputado comunista afirmou que o boletim de verão do BdP «confirma uma profunda recessão» que «contraria de uma forma evidente e clara» os discursos do Governo que falava «em sinais positivos da economia».

«Nenhuma das estimativas tem em conta um facto de estarem previstos para os próximos dois anos um corte suplementar de 4 mil e 700 milhões de euros, previstos para o corte adicional nos rendimentos das famílias, em salários, em reformas, em prestações, no aumento do desemprego com o aumento dos despedimentos», argumentou.

Honório Novo assinalou que este corte adicional, «estranhamente, pelos vistos, parece estar em negociação profunda com o PS, que agora parece estar disponível a suportar as políticas da troika».

«Com este corte adicional de 4 mil e 700 milhões de euros, é bem seguro que as estimativas do Banco de Portugal vão acabar por traduzir-se numa realidade ainda pior», afirmou.