PSD e CDS reprovaram, esta quarta-feira, o requerimento do PS com nove perguntas a dirigir ao primeiro-ministro sobre a sua carreira contributiva, mas os socialistas advertiram que «vão até ao fim do mundo» na exigência de esclarecimento.

Na votação realizada na Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social, PCP e Bloco de Esquerda votaram a favor do requerimento dos socialistas, com a maioria PSD/CDS a chumbá-lo por o classificar como contrário ao Regimento da Assembleia República.

Pela parte do PSD, Adão e Silva elogiou a via seguida pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP (em contraste com o PS) de questionarem diretamente Pedro Passos Coelho sobre a sua carreira contributiva no período entre 1999 e 2004, sem terem procurado para esse efeito a via da Comissão Parlamentar de Trabalho e da Segurança Social.

Adão e Silva classificou então a via escolhida pelo PS de questionar Pedro Passos Coelho como sendo a «mais longa e mais tortuosa», «tíbia» e também contrária ao Regimento da Assembleia da República, tendo como único objetivo «o espetáculo» da presença da comunicação social.

O deputado do PSD sugeriu depois aos socialistas que façam as perguntas diretamente ao primeiro-ministro através de um requerimento, tal como fizeram Bloco de Esquerda e PCP, ou coloquem as questões no próximo debate quinzenal com a presença de Pedro Passos Coelho.

No mesmo sentido, o deputado do CDS Artur Rego rejeitou a intenção do PS «de utilizar» a Comissão Parlamentar de Trabalho e de Segurança Social como «um guarda-chuva» para se dirigir ao líder do executivo e considerou «demagógica» a iniciativa dos socialistas.

Nuno Sá, coordenador da bancada do PS, contrapôs que a via do requerimento direto ao primeiro-ministro não oferece garantias de resposta, alegando a este propósito que Pedro Passos Coelho, desde 2012, tem por responder seis perguntas formais formuladas por deputados.

Antecipando o resultado da votação, Nuno Sá argumentou que o primeiro-ministro «é o primeiro interessado» no sentido de que se esclareçam todas as dúvidas no que respeita à sua carreira contributiva e advertiu que o chumbo da iniciativa do PS pela maioria PSD/CDS «não fará desaparecer a questão» do panorama mediático e da Assembleia da República.

«Pela parte do PS, seja no debate quinzenal ou por outra via, as perguntas não deixarão de ser feitas pelo PS. Diria até que vamos até ao fim do mundo e questionaremos tudo para que as dúvidas sejam dissipadas», avisou, gerando protestos entre os deputados do PSD e do CDS.

Mariana Aiveca, deputada do Bloco de Esquerda, defendeu que a maioria PSD/CDS levantou «falsas questões» para recusar o requerimento do PS, que seguiu «uma via legítima».

«Estamos perante um caso de gravíssima responsabilidade política do primeiro-ministro em relação ao cumprimento dos seus deveres perante a Segurança Social. Se, como diz o primeiro-ministro, "quem não deve não teme", então não deve temer em responder a este requerimento», sustentou.

Também o deputado do PCP Jorge Machado colocou a questão no ponto referente à alegada exigência de «um cabal esclarecimento» por parte de Pedro Passos Coelho sobre a forma como procedeu perante a Segurança Social no período entre 1999 e 2004.

«Até agora, o primeiro-ministro deu respostas completamente esfarrapadas», sustentou, antes de rejeitar a tese da maioria PSD/CDS segundo a qual o requerimento do PS é contrário ao Regimento da Assembleia da República.