O físico e antigo ministro Mariano Gago morreu esta sexta-feira. Tinha 66 anos. Mariano Gago não resistiu a um cancro de que padecia há dois anos. Desde o final do ano passado, o seu estado de saúde veio a agravar-se consideravelmente. 

O corpo do antigo ministro estará a partir das 21:30 na Basílica da Estrela, em Lisboa, e o cortejo fúnebre sai no sábado às 12:00 para o cemitério de Pechão, Olhão, revelou em comunicado pelo gabinete de imprensa do Instituto Superior Técnico, de Lisboa, onde Mariano Gago foi professor.

José Mariano Rebelo Pires Gago nasceu a 16 de maio de 1948. Era licenciado em Engenharia Eletrotécnica, pelo Instituto Superior Técnico. Doutorou-se em Física pela Universidade de Paris.Como físico, trabalhou no campo da aceleração e da colisão de partículas, das altas energias, exercendo funções no laboratório do CERN – Centre Européen de Recherche Nucléaire – em Meyrin, nos arredores de Genebra.

As reações à morte de Mariano Gago

Foi ministro da Ciência e da Tecnogia dos governos de António Guterres, entre 1995 e 2002, e ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior nos governos de José Sócrates,  entre 2005 e 2011.

Nesse ano, regressou ao Laboratório de Instrumentação e Física de partículas (LIP, laboratório português associado ao CERN) e ao Instituto Superior Técnico, onde era professor catedrático.
 
Investigador internacionalmente reconhecido, Mariano Gago era considerado um dos principais artífices do desenvolvimento científico português dos últimos 20 anos. Sobretudo na qualidade de presidente da Junta Nacional de Investigações Científicas (entre 1986 e 1989) e também enquanto ministro.
 
Em 1972, quando ainda estava a fazer o doutoramento em Paris, durante umas férias em Portugal, Mariano Gago foi alvo de um mandado de captura emitido pela PIDE. Fugiu de Portugal achando que não voltaria. Só regressou depois do 25 de Abril de 1974.
 
Foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura, no Laboratório de Física Nuclear e de Altas Tecnologias da École Polytechnique, de 1971 a 1976, e da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear, de 1976 a 1978.
 
O ex-ministro foi um dos responsáveis pela criação da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, gestora da rede de Centros Ciência Viva e publicou vários trabalhos, entre os quais «Homens e Ofícios» (1978, 1982) e «Manifesto para a Ciência em Portugal» (1990).
 
Na obra «O Futuro da Cultura Científica» (1994) defendeu a ciência e a tecnologia como bases para o desenvolvimento humano, social e civilizacional.

Pirataria é «fonte de progresso»

Numa conferência sobre o 25 de Abril, há um ano, disse que em Portugal fez-se muito pela investigação: «Não conheço país nenhum que tenha conseguido o feito de Portugal».
 
Em 2010, quando era ainda ministro do Governo de José Sócrates, Mariano Gago participou de uma conferência em Madrid sobre o futuro da Internet, onde proferiu algumas afirmações polémicas. Para o então ministro, a indústria cultural não devia ver a pirataria como um inimigo, «visto que foi uma fonte de progresso e de globalização».
 
Citado pelo jornal «El País», Mariano Gago disse também que o valor do produto cultural muitas vezes «aumenta» graças à difusão que obtém com a pirataria.

«Hoje em dia um grupo pode adquirir uma notoriedade impensável graças à rede e pode inclusivamente rentabilizar isso em concertos e, porque não, aumentar as vendas de discos graças à popularidade», disse.