O líder da UGT, Carlos Silva, insurgiu-se este sábado contra "a moda de malhar" no PS, enquanto o líder da Tendência Sindical Socialista na CGTP-IN, Carlos Trindade, criticou o "branqueamento da direita" feito por PCP e Bloco.

Carlos Silva e Carlos Trindade falavam num almoço comício do PS dedicado ao tema do trabalho em Odivelas, antes da intervenção final do secretário-geral do PS, António Costa.

Perante várias centenas de sindicalistas, o secretário-geral da UGT disse que ninguém teme "os ataques permanentes feitos ao secretário-geral do PS, quer vindos da direita, quer vindos da esquerda".

"Tornou-se moda malhar no PS, mas não temos medo. Como [o antigo ministro socialista] Jorge Coelho afirmou há uns anos, quem se mete com o PS leva", disse, recebendo uma salva de palmas.


No mesmo sentido, Carlos Trindade também defendeu que os trabalhadores só têm duas opções a 04 de outubro: "Ou o PS no poder, ou a direita a continuar a fazer maldades no Governo".

"A extrema-esquerda, com PCP e Bloco de Esquerda, não é a solução. A única preocupação é atacar o PS, desta forma desfocando o objetivo central de derrotar a direita. Ao mesmo tempo, com o ataque ao PS, o Bloco e o PCP branqueiam o que o Governo fez nos últimos quatro anos", protestou ainda o líder da Tendência Sindical Socialista na CGTP-IN.

Carlos Silva, que esteve ao lado da anterior direção do PS liderada por António José Seguro, reconheceu "divergências de pontos de vista" face a António Costa, mas negou a existência de qualquer divisão na esfera sindical socialista.

"Em momentos decisivos sabemos estar unidos", advogou, num discurso em que referiu ter a mesma idade de António Costa e em que lembrou que ambos entraram para a JS com 14 anos, elogiando, em seguida, "a coerência e o sentido de compromisso" do atual líder socialista ao longo da sua carreira política.

Mas Carlos Silva deixou também um recado de caráter interno destinado a dirigentes ou ex-dirigentes socialistas que ficaram insatisfeitos com os seus lugares nas listas de deputados, advertindo que, neste momento de pré-campanha, "não há lugar para as ‘primas donnas’, porque isso já lá vai".

"Agora é tempo de combate eleitoral", acrescentou.