O ministro dos Negócios Estrangeiros sublinhou hoje que é «importantíssimo» que as relações entre a Rússia, a Europa e os Estados Unidos «não sofram alterações sensíveis» depois de ultrapassada a «situação de tensão» na Ucrânia.

«É importantíssimo que as relações com a Rússia e a Europa, por um lado, e a Rússia e os Estados Unidos, por outro, não sofram alterações sensíveis passada esta situação de tensão que neste momento existe de uma maneira muito clara», afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, que se encontra em Toronto, a acompanhar a visita do Presidente da República ao Canadá.

Admitindo a preocupação da comunidade internacional, em particular da União Europeia e dos Estados Unidos, com a unidade territorial da Ucrânia, Rui Machete defendeu a necessidade daquele país se manter «unido» e «sem alterações territoriais».

«Pretendemos, também, que a liberdade do povo ucraniano não seja afetada e que permaneça um espírito de diálogo», acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Rui Machete fez, ainda, referência aos «desenvolvimentos muito importantes» das últimas horas, nomeadamente a decisão da câmara alta russa de autorizar o envio de tropas para a Crimeia e a marcação de reuniões do Conselho de Segurança das Nações Unidas e do conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia em Bruxelas na segunda-feira.

«Tudo isso são factos que assinalam a preocupação das nações, em particular da União Europeia, dos Estados Unidos e, no que diz respeito à ONU, da comunidade internacional com uma situação que se está a desenvolver na Ucrânia», disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, que também se irá deslocar a Bruxelas na segunda-feira.

Segundo anunciou hoje um diplomata europeu, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países membros da União Europeia vão reunir-se de urgência na segunda-feira para analisar a situação na Ucrânia.

Os chefes das diplomacias dos 28 encontrar-se-ão «às 13:00 (12:00 em Lisboa) na segunda-feira», indicou a mesma fonte, que não quis ser identificada.

A câmara alta do parlamento russo aprovou hoje, por unanimidade, um pedido do presidente Vladimir Putin para autorizar «o recurso às forças armadas russas no território da Ucrânia».

Esta decisão foi tomada depois da denúncia da Ucrânia, na sexta-feira, de que a Rússia fez uma «invasão armada» na Crimeia, península do sul do país onde se fala russo e está localizada a frota da Rússia do Mar Negro.

O Presidente ucraniano interino, Oleksandr Turchinov, já pediu a Vladimir Putin para «terminar imediatamente a sua agressão ostensiva e retirar os seus militares da Crimeia».

Depois de um apelo do Governo de Kiev, o Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se hoje para uma segunda ronda de discussões em 24 horas devido à escalada de tensão na Ucrânia.