A percentagem de votos nulos nas eleições para a Câmara de Gondomar atingiu 10,85%, cinco vezes mais do que o total registado nas autárquicas de há quatro anos.

Muitos destes votos nulos, ao que tudo indica, terão ido para o Movimento Independente Valentim Loureiro Gondomar no Coração, que foi impedido pelos tribunais de se candidatar nestas autárquicas, por irregularidades no processo de entrega das candidaturas, mas que manteve a designação e o símbolo do movimento nos boletins de voto.

Questionada sobre esta situação, a Comissão Nacional de Eleições esclareceu que a rejeição de uma lista não é motivo para determinar nova impressão dos boletins de voto.

Face a isto, o candidato do movimento, Fernando Paulo, apelou nomeadamente nas redes sociais para que os eleitores continuassem a votar em si, em protesto contra a exclusão da lista.

Os votos expressos numa lista que tenha sido rejeitada ou que apresente a sua desistência são considerados nulos.

Fernando Paulo, um vereador do executivo chefiado por Valentim Loureiro, era o candidato proposto por esse movimento independente à presidência da autarquia local.

Presidente da Câmara de Gondomar há 20 anos, desde 1993, Valentim Loureiro estava impedido de se recandidatar a um novo mandato, mas era o candidato à Assembleia Municipal pelo movimento independente com o seu nome.

Num universo de 144.199 eleitos inscritos, houve desta vez 7.899 votos nulos em Gondomar, mais do dobro, também, do que os obtidos pelo Bloco de Esquerda (BE), que foram 3.625 (3,58%).