A eurodeputada socialista Ana Gomes foi hoje ouvida, em Lisboa, pelas novas procuradoras responsáveis pela investigação à compra dos submarinos, o que acontece pela primeira vez desde que solicitou, há mais de um ano, para ser assistente no processo.

Em declarações à agência Lusa, Ana Gomes saudou o facto de, após um ano a tentar ser ouvida como assistente - «tendo todas as anteriores tentativas sido goradas, porque os procuradores foram mudando» -, tal ter finalmente acontecido, hoje, no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), em Lisboa, lamentando que tal suceda, no entanto, numa fase já tão tardia.

Sem poder revelar o conteúdo do encontro, que se prolongou por cerca de duas horas e meia, Ana Gomes congratulou-se com a «atitude de grande empenho» demonstrada pelas novas responsáveis pela investigação.

Reconheceu, no entanto, que não está muito otimista, face às óbvias «dificuldades e limitações» com que se confrontam as novas procuradoras, que «herdaram o processo numa fase muito tardia, quando se aproxima o prazo de prescrição», o que deverá suceder em abril do próximo ano.

Arquivada está já uma queixa apresentada à Comissão Europeia, lamentando Ana Gomes que o argumento de Bruxelas, agora comunicado à eurodeputada, tenha sido o de o Governo ter comunicado uma renegociação das contrapartidas, que lamenta que não seja tornada pública, apesar dos seus pedidos nesse sentido, feitos quer ao anterior ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, quer ao atual, António Pires de Lima.

Ana Gomes considerou «escandalosa a forma como o Governo português não tem acautelado os interesses de Portugal no que toca às obrigações de cumprimento das contrapartidas», renegociadas no ano passado.

Lamentando que, ao que sabe, as contrapartidas - 637 milhões de euros previstos no contrato original destinados aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, em encomendas de navios por parte dos alemães - agora se destinem a «um hotel no Algarve», Ana Gomes considerou «inacreditável que o Estado não torne público o contrato», apesar dos seus repetidos apelos nesse sentido, que permanecem sem resposta, e a Comissão aceitar o argumento como válido, para dar por encerrado o caso.