O secretário-geral do PS, António José Seguro, considerou hoje que «todos os compromissos» são «bons» para o país, após o apelo para um entendimento partidário defendido pelo Presidente da República.

«Todos os compromissos, em sentido abstrato são bons. Quem é que não quer fazer compromissos para bem do nosso país», declarou aos jornalistas na Guarda, no final da sessão solene comemorativa do 10 de Junho.

No entender de António José Seguro, «a questão coloca-se em concreto: isto é, qual é a base para esse compromisso», referindo que o PS tem «insistido que a base para esse compromisso tem que ter uma prioridade: o crescimento da nossa economia e a criação de emprego no nosso país».

«E esse tem sido o consenso que tem sido gerado na sociedade portuguesa e, portanto, como é sabido, há aí uma divergência em relação ao atual Governo que coloca no empobrecimento a sua principal prioridade», referiu.

Para o líder nacional do PS, «cortes e mais cortes não são solução» como «infelizmente os portugueses têm sentido».

«Por isso, os compromissos que têm que ser feitos, têm que ser feitos nesta base do crescimento da nossa economia, em consolidação sustentável das nossas contas públicas e não como tem existido este aumento de dívida pública», declarou.

Lembrou ainda que na sequência do terceiro chumbo do Orçamento de Estado por parte do Tribunal Constitucional, propôs que o Presidente da República «convide todos os partidos políticos com assento parlamentar para uma discussão séria e aprofundada sobre os problemas que o país tem à nossa frente».

«Considero inaceitável que em democracia o Governo tenha feito compromissos com a troika que não sejam do conhecimento dos portugueses. Isto não pode ser assim. E, perante os problemas que nós temos que são, de facto, profundos, como o senhor Presidente disse, é muito importante que se criem condições para que todos possam expressar as suas opiniões e se faça um consenso em torno daquilo que são as prioridades de que os portugueses precisam», acrescentou.

Seguro referiu que primeiro-ministro «insiste em cortes e mais cortes» e o PS considera «que essa não é a solução».

Para o PS a saída tem que ser encontrada «não em belas palavras mas numa proposta muito concreta e numa proposta muito séria».

António José Seguro referiu também que no passado pediu, «por duas ou três vezes», audiências ao Presidente da República.

«Neste momento o senhor Presidente da República não pode ficar pelas palavras, tem que agir. Eu considero que a situação grave do país exige da parte do senhor Presidente da República não apenas palavras, mas ação», concluiu.

O líder do PS disse ainda aos jornalistas que no discurso do 10 de Junho estranhou que Cavaco Silva «não tivesse falado do interior e dos problemas do interior».