O líder parlamentar social-democrata afirmou hoje esperar que haja boa-fé de todos os participantes nas reuniões entre PSD, PS e CDS-PP com vista a um acordo de médio prazo e que estas produzam resultados.

«Aquilo que eu espero é que possamos obter resultados relativamente a essa convergência e que todos estejam nessas conversações de boa-fé, com sentido coerente, de construir uma solução para o futuro», declarou Luís Montenegro, em resposta aos jornalistas, na Assembleia da República.

Questionado sobre o encontro de hoje entre o PS e o Bloco de Esquerda, o líder parlamentar do PSD respondeu apenas: «Eu não faria grandes comentários. Faz parte de toda a liberdade de ação política dos partidos políticos poderem estabelecer diálogos com todos os demais partidos políticos».

Luís Montenegro preferiu acentuar que o seu partido está empenhado numa «aproximação de posições» em relação àquilo «que tem estado em cima da mesa» nas reuniões com vista ao «compromisso de salvação nacional» entre PSD, PS e CDS-PP proposto pelo Presidente da República, Cavaco Silva.

«O desejo do PSD», acrescentou, é seja alcançado «um resultado que assegure que Portugal vai cumprir o programa de ajustamento e de assistência económica e financeira que está em vigor» e «que assegure que há no espetro político português, nos partidos de responsabilidade governativa, condições para reformas estruturais que se possam prolongar para lá desta legislatura».

Luís Montenegro reclamou que o PSD está «com toda a boa-fé» e «com espírito coerente nesse processo.

«Esperamos que todos os partidos que integram estas conversações tenham esta também visão e este comportamento e aguardaremos o desenrolar dos trabalhos», reiterou o líder parlamentar do PSD.

Quanto à questão de se o Governo está ou não a ser parte deste processo negocial, uma vez que vários ministros e secretários de Estado têm participado nas referidas reuniões, Luís Montenegro considerou que o conteúdo das notas hoje divulgadas por PSD, PS e CDS-PP «é muito claro e inequívoco sobre esse aspeto, ao reafirmar que todas as pessoas que participam nestas reuniões integram as direções partidárias».

«O PSD tem-se feito representar também por dirigentes políticos que fazem parte do Governo [na reunião de hoje estiveram a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, o ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, e o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas], como acontece com o CDS [representado pelo dirigente centrista e ministro Pedro Mota Soares e pelo dirigente secretário de Estado adjunto e dos Assuntos Europeus, Miguel Morais Leitão]. Creio que é normal, na medida em que são os dois partidos que integram o Governo», completou.

Os comunicados do PSD, PS e CDS-PP afirmam que «o Governo não participa nas referidas reuniões», mas sim, «exclusivamente, representantes dos partidos políticos e um representante do Presidente da República como observador».